Opinião
Seis d�cadas de qualidade
Em maio, o curso de engenharia da Universidade Federal de Alagoas comemorou 60 anos de criação. Dos pioneiros aos recentes egressos só temos que nos orgulhar. São seis décadas de esforço conjunto que formaram mais de dois mil profissionais, a maioria se destacando no mercado de trabalho pelo desempenho e proficiência. Atualmente, o curso ocupa o oitavo lugar no Brasil no Enade (Exame nacional de desempenho de estudante) do Ministério da Educação, e vislumbra uma ascensão impulsionada pela dedicação de professores e alunos. Ao longo desse tempo, desde quando funcionava num prédio na praça Sinimbu, em Maceió, o curso foi marcado pela tenacidade dos que se dedicam à engenharia no Estado. Hoje há computadores ajudando nos cálculos, fazendo simulações e reduzindo a zero falhas futuras. Nos primórdios, havia papel, lápis, a régua de cálculo e a inteligência de quem a manuseava. Com esse aparato formamos mestres que produziram obras que resistem ao passar dos anos, atestando a qualidade da engenharia alagoana. Orgulho-me de ter sido formado pela Universidade Federal de Alagoas. Foi com o diploma de engenheiro que sobrevivi antes de me tornar político. Participei da construção da ponte Rio-Niterói ao lado de profissionais formados por escolas mais notórias de outros estados, mas nunca me senti intimidado, porque sabia que o conteúdo das aulas aqui recebidas era compatível com o que era ensinado no resto do País. Há pouco gravei um depoimento em homenagem ao professor Vinicius Maia Nobre, que recebeu honraria nacional do Confea (Conselho federal de Engenharia e Agronomia). Um reconhecimento justo por parte do Conselho do talento de um dos mais destacados profissionais do Brasil. Privilégio de quem pode ser seu aluno. A prova inconteste de que santo de casa, sim, faz milagre. Há alguns anos, a construção civil atingiu o ápice com participação decisiva no desenvolvimento econômico do País, algo em torno de 6,5% do PIB. Agora, atravessamos um momento de crise, com refluxo de obras e fechamento de postos de trabalho. Contudo, não podemos esmorecer. As escolas precisam continuar formando bons engenheiros e incorporando cada vez mais tecnologia ? o atraso tecnológico pode resultar em 40% de perda de material. E refiro-me não apenas à engenharia civil, mas às outras dezenas de acepções. O curso de engenharia é um sessentão, como eu, mas com disposição para se renovar a cada dia. É o que nos faz ir em frente e construir o futuro..