Opinião
Sem oportunidades
De acordo com estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado ontem, a taxa de desemprego de jovens no Brasil neste ano deve ficar bem acima da média mundial, com tendência de agravamento por causa da piora do cenário econômico do País. Nas previsões da OIT, o desemprego de jovens no Brasil com idade entre 15 e 24 anos deve atingir 15,5% em 2015. A taxa média mundial nessa mesma faixa etária é estimada em 13,1% neste ano. Na avaliação da OIT, fica ainda claro que o desemprego no País varia de uma forma importante dependendo do nível de educação dos jovens. Entre aqueles com título universitário, a média é de 8%. Aos que não completaram a educação primária, a taxa chega a 15,5%. Estudos do IBGE já vêm mostrando que o desemprego entre os jovens continua aumentando de forma mais intensa do que nas demais faixas etárias. A conjuntura econômica não está favorecendo a redução na taxa de desocupação de nenhuma faixa etária, menos ainda entre os jovens. Boa parte do aumento do desemprego se deve à maior procura por trabalho. Em qualquer parte do mundo, os jovens são os principais afetados em tempos de desaquecimento econômico. Basicamente porque são os primeiros a serem demitidos quando as empresas passam por dificuldades, já que têm menos experiência. Para complicar, encontram barreiras na recolocação profissional porque em momentos de crise mais profissionais experientes estão em busca de emprego. No Brasil, as perspectivas em curto prazo não são animadoras. A tendência é o País passar até o começo de 2017 com a economia em marcha lenta. A disputa política continua contaminando a economia, com consequências imprevisíveis. É preciso priorizar políticas de emprego, pois o custo de treinamento de funcionários inexperientes é alto. Se o governo desse incentivos para amenizar os encargos trabalhistas na contratação de jovens, seria uma alternativa. Programas sociais do governo federal, como o ProJovem e Pronatec, são uma alternativa para a juventude mais pobre e com menos acesso à educação de qualidade, mas também sofreram cortes por causa do ajuste fiscal. Como já alertou o papa Francisco, há um perigo de a crise criar uma geração inteira que não deu certo, referindo-se à necessidade de se criar oportunidades para os jovens.