Opinião
Um futuro a proteger
Nesta segunda-feira, o Brasil, além de homenagear sua padroeira ? Nossa Senhora Aparecida ?, celebra o Dia da Criança, diferentemente de outros países, que comemoram essa efeméride em data diferente. A escolha do 12 de outubro remonta a quase um século, oficializada pelo presidente Arthur Bernardes, em 1924. Entretanto, a data era praticamente ignorada até a década de 1960, quando uma promoção da iniciativa privada conferiu prestígio ao dia. O 12 de outubro foi escolhido pela fábrica de brinquedos Estrela e pela Johnson & Johnson para o ápice da campanha ?Semana do Bebê Robusto?. As duas empresas robusteceram suas vendas, estabelecendo um novo padrão para o Dia das Crianças. Nos anos seguintes, o caráter comercial imprimido à data foi sendo paulatinamente questionado. Hoje, o Dia da Criança é visto não apenas como um momento de festa e presentes, mas também como uma oportunidade de refletir sobre a situação das crianças no Brasil em relação a seus direitos fundamentais. As políticas públicas e as leis brasileiras asseguram uma série de direitos para as crianças. No entanto, na prática, muitos não chegam ser efetivados. Como mostram diversos indicadores sociodemográficos, a violação desses direitos atinge particularmente as crianças pobres, negras e pardas. De acordo com o Unicef, nosso País conseguiu reduzir a mortalidade infantil, mas as crianças pobres têm mais do que o dobro de chance de morrer, em comparação às ricas, e as negras, 50% a mais em relação às brancas. Mais de 60 mil crianças brasileiras com menos de 1 ano são consideradas desnutridas, embora esse número já seja reflexo de uma diminuição de mais de 60% havida nos últimos anos. A questão escolar também retrata um quadro grave. O Brasil possui mais de 535 mil crianças fora da escola. Desse total, mais de 60% são de crianças negras. Apenas 40% das crianças conseguem terminar o ensino fundamental. É uma realidade que ameaça o futuro do País. Ou o Brasil prioriza efetivamente a infância e a juventude, ou continuará a não alcançar a educação de qualidade, a cultura para todos, o desenvolvimento integrado de tecnologia, a diminuição das injustiças sociais e o respeito à cidadania. Estará sempre condenado a ser o País de um futuro que nunca chega.