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E se houvesse o verbo renirar?

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Homenagear a quem precisa de homenagem é fácil, difícil mesmo e prestar esse gesto a quem dele não necessita. Durante nossa vida acadêmica nos deparamos com professores e ?professores?, à parte a designação didatizada de ?educador?. Arrisco-me neste instante a homenagear alguém que não faz questão de que lhe dirijam esse gesto, sobretudo, de que seja feito em público. Ingressei em 1994 no Curso de Letras da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), e nessa instituição tive o privilégio de estudar com excelentes professores. Para não pecar pela memória, meu depoimento será direcionado, neste espaço, a um deles. Uma professora nossa marcou tão fortemente aquela turma, ao ponto de sairmos de lá certos de que não havia o verbo relativo ao seu nome e ações, mas se existisse, tínhamos a certeza do que ele significaria, nos mais diversos guardiões do léxico da nossa língua, os dicionários. Fazer o máximo com o mínimo recurso, dar sentido ao que parecia ser inexplicável, transmitir segurança no que fazia e no que defendia como necessária realidade do fazer acadêmico e científico. A sua maestria apresentava-se ilimitada, inimitável. Fadados estaríamos, então, a não existência do verbo renirar. Sou tendente a achar impossível replicar o que essa mestra fazia: Tirar do conjunto ?quadro verde e pó de giz, de um recorte replicado de texto de revista ou de jornal? todos os fenômenos ? latentes à língua ? que precisávamos perceber e conhecer para nos tornamos bons leitores e produtores de textos e, por conseguinte, professores de Língua Portuguesa. E, além disso, associar língua e literatura em um continuum necessariamente significativo, sem deixar de trazer-nos a autenticidade dos textos e, dessa forma, fugir à didatização dos mesmos; dando-nos a segurança para perceber a língua em seu real funcionamento... É o que nos fez. O verbo renirar não veio, nem virá. Ninguém será capaz de replicar o seu feito, Renira. Mesmo assim, colegas daquela turma ao se encontrarem ?utopizam? suas ações: Estás onde? Estou no Estado dando aulas de Língua Portuguesa... Ah, tá renirando, né???? Não sei aos demais, mas a mim isso soa como ápice do elogio, pois utopicamente estaria fazendo o que ela faz: o melhor e o máximo a partir do mínimo. De toda forma, vale uma sugestão aos dicionaristas: RENIRAR. Verbo. [defectivo] Não conjugado nas primeira e segunda pessoas no singular ou no plural. Permite conjugação apenas na terceira pessoa do singular, voz ativa e feminina, referente às ações didáticas da Professora Renira Lisboa de Moura Lima. Dessa forma, apenas Renira. Ou quem sabe, maximamente, Nós tentamos renirar! (Infinitivo); pois, Fomos renirados. (particípio); Por isso, Está renirando, né? (Gerúndio). Merecido e necessário neologismo em nossa profissão, com que homenageio a você, Renira! Palavras, extensivas aos demais bons professores que tivemos no Curso de Letras da Ufal para a turma de 1994. Aonde eu for, tentarei ? talvez em vão ? renirar!

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