Opinião
O religioso
DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM* A celebração do Ano Vocacional nos leva a falar, hoje, sobre outra vocação específica: o religioso. Sem dúvida, o chamado à vida religiosa, como toda vocação, nasce da graça batismal. Ela a explicita de maneira plena e completa. O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática ?Lumen Gentium?, ao tratar dos membros da Igreja, afirma que os religiosos ?constituem um dom divino que a Igreja recebeu do Senhor e por graça dele sempre conserva? ( L.G 43/115). Com efeito, Jesus deu a seus discípulos mandamentos e conselhos evangélicos da castidade consagrada a Deus, da pobreza e da obediência, confirmados por seus exemplos e recomendados pelos apóstolos e padres da Igreja. Guiada pelo Espírito Santo, a Igreja, através dos tempos, cuidou de interpretá-los, regulamentar-lhes a prática e estabelecer formas estáveis de vida. Daí resultou o surgimento de várias famílias religiosas no decorrer da história, numa variedade e riqueza de carismas, garantindo a seus membros o apoio de uma vida mais estável e segura, proporcionando-lhes uma doutrina comprovada para adquirir a perfeição cristã e o amparo de comunhão fraterna no seguimento de Jesus Cristo e na vivência da graça batismal. Pela consagração total a Deus na vida religiosa, o fiel se obriga aos três mencionados conselhos evangélicos, entregando-se totalmente a Deus sumamente amado e, por um novo e peculiar título, é ordenado ao serviço de Deus e à sua honra, libertando-se dos impedimentos que o possam afastar do fervor da caridade e da perfeição do culto divino. Deste modo, pela observância dos votos, os religiosos são livres para amar e servir a Deus e aos irmãos. Como se vê, os conselhos evangélicos pela caridade associam seus seguidores de modo especial à Igreja e ao seu ministério, contribuindo, de maneiras diversas, para a realização de sua missão. Por isso mesmo, o Concílio Vaticano atribui à profissão dos conselhos evangélicos um valor e uma importância singular na Igreja, considerando-a como ?um sinal que pode e deve atrair eficazmente todos os membros da Igreja para o cumprimento dedicado dos deveres impostos pela vocação cristã? recebida no batismo (LG 45/119). Em outras palavras, isto eqüivale dizer que os religiosos são a ?memória? da Igreja e o modelo da perfeição evangélica no seguimento de Jesus Cristo. Eles estão sempre à caminho e em busca do ideal da perfeição proposto por Jesus: ?Sede perfeitos como vosso Pai Celeste é perfeito?, não obstante as limitações pessoais inevitáveis. Merecem de todos nós o respeito, o apoio e a admiração. Para a nossa Igreja particular de Maceió, os religiosos masculinos e femininos são uma verdadeira bênção. Segundo o carisma próprio de cada comunidade, atuam admiravelmente nos diversos campos da evangelização e da pastoral, como nos colégios, no serviço aos pobres, nos hospitais, juntos às crianças e nas paróquias. A Celebração do Ano Vocacional será uma oportunidade favorável para uma tomada de consciência da grandeza e importância da vocação do religioso na Igreja, que tem suas raízes no batismo, fonte de todas as vocações. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ