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Opinião

Horrores citadinos

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Muito já se repetiu que a vida imita a arte e também é fato sobejamente conhecido ser a vida mais contundente que a arte. Em alguns casos, cenas da vida real supera criações consideradas exageradas no campo da literatura ou das artes cênicas. O cinema, capitaneado pela indústria cultural americana, tem espalhado pelo mundo (e feito escola) vertentes diversas da violência exacerbada, onde situações tidas como improváveis são expostas na tela como forma de prender a atenção do público. A vida, em várias regiões do mundo, tem produzido cenas que reduzem a virulência de Hollywood a produções infantis. O que dizer da situação em que uma família é impactada pela tentativa de assassinato de uma garota de 13 anos, vítima de uma tentativa de assalto onde o objeto do desejo era um simples aparelho de telefone celular? Acrescente-se a isso o fato de que o pai da jovem vítima, ao sair do hospital onde a filha está internada em delicada luta pela sobrevivência, é igualmente assaltado e, sob a mira de um revólver, é forçado a entregar a carteira e um simples aparelho de telefone celular. Entre as duas cenas, apenas alguns dias. O cenário, o mesmo, uma bela cidade cercada de praias e lagoas paradisíacas. Some a tudo isso o fato do pai da jovem vítima ? e igualmente alvo de assalto ? ser uma autoridade constituída do Poder Judiciário local, um juiz conceituado e respeitado por toda a comunidade. Não parece ficção? O duro e mais doloroso ainda é saber que essa é uma realidade sem perspectivas imediatas de mudança. Assaltos e demais violências crescem não só em Maceió, mas se espalham por todo o Estado, conjugando a falta de oportunidades de vida digna para milhares de pessoas com o fortalecimento das teias do crime organizado, com a multiplicação dos marginais, com a incapacidade do poder público fazer frente a esse múltiplo e grave problema. As violências sofridas pela jovem de 13 anos e por sua família não devem servir como um apelo de socorro, mas devem ser ouvidas como um grito de basta! Chega de violência, impunidade. Chega de menosprezo do poder público a esse drama.

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