Opinião
Pa�s sem rumo
Esta crise não caiu no colo da presidente. Tampouco foi instalada por causas externas. Ela já se anunciava desde 2014, quando o governo vinha mostrando dificuldades para cumprir vários compromissos inadiáveis, o que resultou nas tais ?pedaladas fiscais? que só agora se comprovaram e que o Sr. Luiz Adams, Advogado Geral da União, faz questão de não querer ver como crime fiscal. Pior, não é só ele. O mentor de toda essa trapalhada, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, sempre com o deboche que lhe é peculiar e falando para suas plateias pagas, disse que Dilma usou do artifício, reconhecendo o delito, para pagar o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. Não demorou muito e lá aparece ela, que me parece estocar vento na cabeça, seguindo a mesma linha, afirmando que apenas fez o que outros presidentes fizeram. Isso depois de quatorze auditores do Tribunal de Contas da União analisarem e desaprovarem, gerando, consequentemente, a votação unânime de todos os ministros partícipes daquele tribunal, recomendando ao Congresso rejeitar suas contas. Fato histórico só registrado no governo de Getúlio Vargas, em 1936. Esse tipo de atitude tem gerado protestos, tanto dos componentes daquele tribunal ? haja vista declarações, trazidas pela Gazeta de Alagoas, do ministro João Augusto Nardes, em visita a esta capital, quando afirma que as ?pedaladas fiscais? do governo Dilma, ao contrário do que disse o Sr. Lula, não serviram apenas para pagar programas sociais, mas envolvem também empréstimos para empresas que superam R$ 106 milhões e por isso, ?Dilma deve perder o mandato? ? quanto dos quadros da Advocacia Geral da União. O Sr. Luiz Adams está sendo questionado pelos advogados da AGU por estar extrapolando suas funções. São peremptórios ao afirmarem que aquele senhor está agindo como advogado da presidente e não por aquela instituição. Tudo vale pela salvação do mandato presidencial. Diante deste contexto, desenrola-se uma crise sem precedentes que além de econômica e política já esbarra nas raias de uma crise social. O País está sem rumo. Governo e oposição(?) parecem não querer ver o que é óbvio. A reforma proposta é inócua porque nem o Executivo, nem o Congresso permitem corte de despesas, e a sociedade, farta de financiar essa farra de 13 anos, não admite aumento de impostos. Não seria o governo que aí está que teria credibilidade para fazer com que a população brasileira assumisse um aumento da carga tributária. Só uma nova gestão teria o crédito do já combalido povo brasileiro para contribuir com seu sacrifício, fazendo voltar a nação ao rumo de onde nunca deveria ter saído.