Opinião
Hero�smo louv�vel
Três valorosos integrantes da Polícia Militar de Alagoas e um do Corpo de Bombeiros, todos ainda jovens, morreram quando caiu e explodiu o helicóptero em que eles trafegavam, no bairro da Santa Lúcia, em nossa Maceió. Trabalhavam no patrulhamento aéreo, visando coibir a ação dos criminosos e defender a sociedade. Logo chegaram às redes sociais as tristes imagens dos seus corpos carbonizados e despedaçados, nessa mórbida curiosidade dos cinegrafistas de celular, ávidos pelo ângulo que melhor retrate a bagaceira. Dentre as vítimas, um amigo meu desde a nossa adolescência em comum, Henrique Assunção, figura humana simpaticíssima e grande profissional, com quem convivi bem de perto nos tempos em que estive Secretário do Gabinete Civil, e que já escapara incólume de um outro acidente de helicóptero, há poucos anos. Quero crer que o seu destino era mesmo o de morrer nos ares, talvez para chegar mais rápido ao céu. Mas o que mais me sensibilizou, em meio à tristeza pelo fatídico acidente, foi o louvável gesto de heroísmo do piloto, o major bombeiro Milton Carnaúba, que apesar da queda livre conseguiu evitar que a aeronave caísse sobre as casas, o que teria causado uma tragédia de proporções ainda maiores. Numa destreza surpreendente e admirável, ele fez com que a queda ocorresse num terreno baldio, sem atingir uma pessoa sequer. Num átimo de segundo, certamente consciente do seu fim iminente ? pois ele possuía preparo técnico suficiente para perceber a gravidade da situação ? ainda teve tempo para pensar nos seus semelhantes, livrando outras famílias da dor que se abateria sobre a sua própria e a de seus companheiros de infortúnio. Uma tocante demonstração de amor ao próximo, que seguramente já foi recompensada pelo Pai Eterno. Andamos, todos nós, sob a sombra do imponderável, que a qualquer momento pode nos colher de supetão. A dama da foice está sempre à espreita, e um belo dia toparemos com ela, queiramos ou não. Os tripulantes daquele helicóptero morreram ?combatendo o bom combate?, na expressão do apóstolo Paulo. Partiram como viveram, inibindo a atuação da bandidagem e dando mais segurança aos homens de bem. Terminaram a sua trajetória terrena cumprindo com o seu dever, honrando a sua farda e contribuindo para a melhoria da sociedade. Lembro-me dos versos da poetisa Rosália Sandoval: ?Não morrem os que caem na luta pelo bem;/ desaparecem, como o sol que nuvem negra ocultou?. A memória desses abnegados militares merece a nossa admiração, o nosso respeito e a nossa gratidão.