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NEUROCIRURGIA: CI�NCIA E ARTE

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Hoje, o Congresso da Soc. Nordestina de Neurocirurgia encerra os trabalhos. Foram dias de muita discussão, palestras, apresentação de novas técnicas... Tivemos outros focos além do sistema nervoso. Extraoficialmente, chegou-se à conclusão de que, doravante, deveremos ser chamados de ?seu?. A legitimidade do nome é para os que se submetem aos cursos de doutorado. Foi unanimidade o enaltecimento desses cursos no Brasil, na Argentina, na Bolívia, no Paraguai, na Coreia do Norte, no Cabo Verde... Melhor do que os cursos, só as teses. Por sinal, comentou-se que há pessoas especializadas em escrever teses. Por preços módicos. O futuro doutor nem precisaria fazer ?mungangas? de estresse. Só há mentes brilhantes entre os doutores com doutorado. São cientistas que elevam o ensino e a pesquisa no Brasil. Sou suspeito para falar. Recentemente uma amiga doutora postou um texto apologético a meu respeito. Que cultura! A versão literária de Frida Kahlo, ao vivo e em cores. Já faz muito tempo que sou chamado de seu Ronald. Somente os pacientes no consultório é que continuam a me tratar por ?doutor?. Fico constrangido. Eu insisto para que não me chamem assim. É que ser chamado de ?seu Zé?, ?seu Menino?,? seu Ronald? em nada muda a minha essência. Continuarei pobre. Fazendo minhas neurocirurgias. Quero imaginar um diálogo: ?Quem lhe operou?? ? ?Foi seu Ronald?, responde o interlocutor. ??Ah! Ele operou meu irmão e minha mãe?. E completa: ?Seu Ronald é bom médico, pena não ter doutorado?. Ser tratado por ?professor? não seria nenhum favor. Afinal, foram mais de 30 anos no mister. Mas eu prefiro ?seu?, acho mais simpático, mais republicano, mais lulopetista. Mais honesto. (Juro, não quis ofender). As curiosidades do Congresso, foram as palestras sobre implante de neuroestimulador profundo para tratar a obesidade. Como sabem, a ciência neurocirúrgica, através dos neuroestimuladores, consegue ajudar parkinsonianos graves, discinesias bizarras, piscados, tiques faciais (aquelas incômodas ?mungangas? estereotipadas, involuntárias, que muitas vezes não foram curados pelos benzodiazepínicos, pela psicanálise, pela auto-ajuda...). No momento, o implante de neuroestimuladores para obesidade implica no risco de algumas perdas no campo afetivo. A inversão nas preferências sexuais não estaria completamente afastada.

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