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Fosfoetanolamina

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Para quem não reconheceu logo de cara, essa é a substância que vem sendo noticiada como a cura do câncer. O composto produzido na USP protagonizou uma batalha judicial que culminou com a decisão do Supremo de obrigar a universidade a fornecer a droga ao público. A decisão do magistrado foi duramente criticada pelas entidades médicas e o motivo é simples, a Fosfoetanolamina não é sequer um remédio. Se trata de um composto de laboratório cujos efeitos não são totalmente conhecidos nem mesmo em animais. Em qualquer país sério o pesquisador que distribuísse uma droga não autorizada seria preso em flagrante. Os oncologistas agora encaram o desafio de tentar convencer seus pacientes dos riscos que a procura de tratamentos milagrosos podem trazer. Não é a primeira vez que surge uma cura mágica para o câncer e nesses casos, em geral, nós médicos nos apegamos as evidências para dizer que só o que já foi estudado em um ensaio clínico controlado, com mil pacientes em 10 anos, é que pode ser considerado eficaz. Esquecemos, no entanto, que um único relato de desaparecimento da doença em um ser humano de verdade tem mais força de convencimento que qualquer aglomerado de números num papel.. Por isso, para ajudarmos de verdade as pessoas a escaparem dessa cilada, a melhor coisa a fazer é falar de fantasmas e extraterrestres. É, eles mesmo. Será que eles existem? Se formos considerar o volume de evidências, sim, existem aos montes. Toneladas de relatos, fotos e vídeos de aparições sobrenaturais e extraterrenas circulam pela internet. Contudo, os mais céticos sempre lembram, por algum motivo as provas nunca são incontestáveis. As imagens sempre estão desfocadas, as histórias nunca são comprováveis, as aparições nunca são notórias. A verdade é que bastava um único ET ou alma penada se apresentar em público e todo o mistério estaria resolvido, mas isso nunca acontece. O melhor que podemos fazer nesse caso é pedir que, antes de trocar a segurança da medicina científica por uma panaceia qualquer, as pessoas exijam que os tais pacientes curados pela Fosfoetanolamina se apresentem a público, ao menos um que seja, e se submetam a análise do caso por especialistas. Se ficar provada a cura, então tudo bem. Claro que um único caso não seria prova suficiente a luz da ciência, mas eu aposto que nem mesmo esse um aparecerá.

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