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Infla��o e expectativas

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HUMBERTO MARTINS * Passados o entusiasmo e a emoção do novo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, é chegado o momento de enfrentar os grandes problemas que afligem o povo. E um desses problemas, que ressurge de modo assustador, é uma velha conhecida dos brasileiros: a inflação. Na verdade, os aumentos nas últimas semanas nos principais gêneros alimentícios, na gasolina, no álcool, no gás de cozinha, entre outros artigos, são como uma espécie de fenda que se abre no terreno movediço de uma economia que, como as demais, depende de fatores internos e externos para se manter estável. O novo governo empreenderá uma ?luta impecável contra a inflação?, prometeu, repetidas vezes, o novo ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho. ?Sem nenhuma medida mágica, exótica ou heterodoxa, sem experimentalismos de nenhum tipo?, acrescenta o substituto do ex-ministro Pedro Malan, que durante quase uma década foi o principal responsável pela economia nacional. Aos que cobram o crescimento pregado pelo novo presidente e seu partido durante a campanha eleitoral, diz Palocci: ?Teremos um crescimento econômico sadio, baseado no equilíbrio da contas do País com o exterior e na estabilidade monetária?. O grande vilão da atual recaída inflacionária é a alta do dólar, provocada pela necessidade de a economia nacional dispor de moeda forte para os constantes pagamentos de juros e de pequenas parcelas do principal da colossal dívida externa de US$ 240 bilhões. O aumento do dólar em relação ao real, de pouco mais de 50%, ano passado, acelerou as exportações ? acarretando a elevação de preços no mercado interno de muitos produtos exportados em grande escala; provocou a entrada de mais dólares na economia brasileira, o que, sem um correspondente aumento de produção, gera inflação e provoca outros fenômenos que a favorecem. Mas se há razões para apreensões, com relação ao surto inflacionário, não há para alarme. Inflação é um aumento contínuo no índice de preços, não é um simples salto desses mesmos preços. A inflação sustentada exige um aumento contínuo de demanda agregada. ?Inflação é um movimento ascendente e sustentado no nível de preços agregados, que é compartilhado pela maioria dos produtos?, ensina Robert J. Gordon, professor da Social Sciences Northwestern University, o que não é o caso da economia brasileira. Aos que reclamam um crescimento imediato do Produto Interno Bruto (PIB), para gerar mais empregos, é conveniente lembrar que um nível de PIB real acima do nível potencial do PIB real não pode ser sustentado permanentemente sem se acelerar a inflação. Os brasileiros devem estar prevenidos para a necessidade até de novos sacrifícios, porque a redução dos riscos de um surto inflacionário não pode ser atingida por uma política de demanda agregada. Pode acontecer, se for o caso, até um período transitório de recessão. O que é imperiosa é a necessidade dos sacrifícios divididos entre todos os segmentos da população, não recaindo apenas sobre os ombros dos trabalhadores e dos que se situam nas faixas de menor remuneração e patrimônio, como tem acontecido historicamente no Brasil. Prevenido para a gravidade das questões econômicas, sociais e de outras naturezas que terá de enfrentar, apoiado pela opinião pública como raras vezes aconteceu na história do Brasil, o novo presidente começa sua jornada cercado de esperança de milhões de seus compatriotas. Essa expectativa é uma indisfarçável vantagem que Luiz Inácio Lula da Silva terá de aproveitar, porque ela tem prazo. (*) É DESEMBARGADOR DO TJ/ALAGOAS

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