Opinião
Morrer, despertar para nova vida
Os ensinamentos teológicos, filosóficos e religiosos apregoam a perenidade da vida após a morte embasados nos princípios doutrinários que se apresentam como verdadeiros, buscando induzir as criaturas humanas às crenças das diversas correntes religiosas. Verdade é que todos morreremos; todavia, aceitamos a continuação da vida através dos ensinamentos religiosos que se fundamentam em postulados e teses escritas na Bíblia e nos diversos compêndios muito antes desse Livro Sagrado. Queiramos ou não, somos verdadeiros viajantes em demanda de um local incerto e não sabido. Dois de novembro. Data lembrada e reverenciada por todos. Os Campos Santos conhecidos tradicionalmente por Cemitérios estarão repletos de pessoas que farão visitas às tumbas dos que já se encontram ausentes deste mundo. É sabido que no pequeno espaço onde o corpo fora sepultado existem apenas fragmentos de ossos e quando muito, pó da terra, confirmando desta forma nosso retorno à origem. De qualquer sorte, a oportunidade da visita de cova é justa, humana, grata e saudosa, pois os poucos instantes que passarmos naquele lugar será acompanhada de uma retrospectiva da convivência outrora mantida com os parentes que já se foram. Saudade e gratidão são virtudes indissolúveis oriundas da genética ou da formação do caráter de cada pessoa. É comum visitarmos o Campo Santo na data destinada aos que já partiram para eternidade. Contumazmente, naquele dia sempre escrevemos artigos em homenagem aos que partiram, com publicação e apoio dos gestores desse profícuo veículo de comunicação. Ninguém escapará da morte. Nem o próprio Cristo, só que ressuscitou. Nós outros, certamente ressuscitaremos depois da partida, porém em data não revelada. Tudo é mistério. Durante nossa trajetória neste planeta, muitos são atraídos por coisas efêmeras, inclusive, possuídos da inveja, ódio, vingança, tesouros indevidos, orgulho e todo tipo de ilicitude que maculam a honra e a conduta do cidadão. Ao partirmos para a viagem sem volta, nada conduziremos, senão a certeza de nova vida ao término da presente. Mortalha não tem bolso, então para que acumular fortunas incalculáveis e muitas das vezes desonestas? Reflexão importantíssima para atual conjuntura brasileira. Que o assunto caia na carapuça do devedor. O choro e desespero por ocasião da perda de alguém que amamos são ações puramente humanas; no entanto, passam, a partir do momento que aceitarmos que a vida é limitada e o corpo ao descer à terra fria confirmará a tese do químico Antoine Lavoisier: ?na natureza nada se cria e nada se perde, tudo se transforma?. Portanto, um dia deixaremos pais, filhos, familiares e tesouros, tudo isto nada acompanhará a viagem derradeira, prevalecendo unicamente o espírito. Mesmo assim, ninguém quer partir e ainda peremptoriamente afirma: ?se a morte é um descanso, eu quero viver cansado?. Por mais certeza que o cristão tenha da nova morada nos céus, em nenhum momento aceitará a morte, prefere continuar na peleja até o momento final.