Opinião
A lei serve para enfrentar o racismo
Os insultos racistas contra a atriz Taís Araújo, episódio registrado no sábado, 31, alcançou grande repercussão, trazendo ao cenário nacional um debate recorrente. Numa foto postada pela atriz, em seu perfil em rede social, foram publicadas frases ofensivas como ?cabelo de esfregão?, ?já voltou pra senzala??. Diante da agressão Taís Araújo prestou queixa na Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) da Polícia Civil do Rio de Janeiro, onde mora. Antes da agressão à atriz, o racismo foi discutido nacionalmente com as ofensas contra a jornalista Maria Júlia Coutinho, da TV Globo. Esses são dois casos recentes, que ganharam amplitude, gerando centenas de milhares de manifestações de protestos e solidariedade. Do mesmo modo que elas, jogadores de futebol também são constantes vítimas de ofensas raciais. São casos que ganham notoriedade por que os negros ofendidos são astros. Todavia, sabe-se que casos de discriminação ocorrem todos os dias. Famosos ou não, os negros continuam sofrendo com atos de racismo, e frequentemente se veem em situação de discriminação. O racismo é crime no Brasil, mas ainda há muita gente ignorando isso. Criada há mais de 26 anos, a Lei 7.716 estabelece pena de reclusão para quem cometer atos de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Sancionada em 1989, regulamentou o que a Constituição Federal tornou crime inafiançável e imprescritível. Os dispositivos legais em vigor no país definem que todos são iguais sem discriminação de qualquer natureza. Mas o cotidiano da população mostra que ainda é preciso discutir o preconceito de cor. No caso da jornalista Maria Júlia, um adolescente de 15 anos, responde por ato infracional. Outros envolvidos estão sendo investigados. Até ontem, o caso da atriz Taís Araújo teve mais de 84 mil compartilhamentos e foi curtida por cerca de 575 mil pessoas na rede social. A reação mostra que preconceito racial é um problema de toda a sociedade. Um problema que deve continuar sendo discutido desde a escola, onde crianças sentem a dor que a discriminação causa, mas precisam aprender que podem enfrentá-la, percebendo-se iguais e com iguais direitos.