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Opinião

Pessimismo e realidade

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Nos últimos meses, os cadernos econômicos da grande imprensa vem sendo dominado por notícias negativas, que tornam ainda mais sombrias as expectativas sobre o futuro do Brasil. Para quem acompanha o noticiário sobre inflação e desemprego, por exemplo, estamos à beira do caos, numa situação próxima à da Grécia. É certo que o Brasil passa por um momento muito delicado, mas, se fizermos uma pesquisa sobre a história econômica do nosso País nas últimas décadas ? e a internet está aí para ajudar ?, facilmente poderemos perceber que o pessimismo e a reação negativa do mercado aos problemas do País contêm algum exagero. Os próprios empresários reconhecem isso. Esta semana, o experiente Abílio Diniz ? outrora homem forte do grupo Pão de Açúcar e hoje controlador do BRF ? afirmou que a crise brasileira é política, não econômica. O empresário destacou que já viu o Brasil em momentos muitos piores do que o atual, como nos anos de 1980. Outro empreendedor de sucesso, Carlos Wizard ? fundador de uma rede escolas de idiomas e hoje dono de uma rede de produtos naturais ? chega a dizer que falar em crise hoje em dia é ?brincadeira? e se reporta também à década de 80, em que a inflação chegou aos incríveis 80% ao mês. Para ele, o que o Brasil enfrenta hoje é um pequeno ajuste. Recentemente também, a rede global de economia Bloomberg sugeriu que o pessimismo e a reação negativa do mercado internacional aos problemas brasileiros e à perda de grau de investimento foram exagerados, pois não levaram em conta fatores importantes que determinam o risco de o País não pagar suas dívidas. Não se pode negar, porém, que o governo cometeu falhas na condução da economia, as quais fizeram com que as condições se deteriorassem. Entretanto, mais grave é a falta de habilidade na articulação política. O desgaste com o Congresso tem sido o combustível que alimenta a crise econômica. Enquanto isso, a maior parte dos brasileiros, depois de ser bombardeada durante tanto tempo com a noção de crise, parece perder a capacidade de enxergar com realismo a situação da economia. É preciso superar o mais rápido possível essa letargia para que o País possa voltar a respirar e retomar o crescimento. O Brasil não pode se dar o luxo de perder tempo mais uma vez.

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