Opinião
As professorinhas
Relembro, no quinze de outubro, a velha canção popular: ?Que saudade da professorinha, que me ensinou o beabá...?. Da minha infância, na década de setenta, ficaram-me as lembranças das professoras que tive, importantíssimas que foram para a minha formação, quando os mestres eram valorizados. Eram todas mulheres; não havia nenhum homem, como se o magistério fosse uma vocação própria do ser feminino, com a sua paciência, o seu cuidado e a sua delicadeza. Aparecida, Nair, Zélia, Maria José, Avani, Malba, Gracita, Marília, Carla, Josete, Menininha ? nomes que pronuncio com respeito e carinho, louvando a Deus pelo que semearam de bom no início da minha vida. Minha primeira professora, no Jardim Infantil, foi Renilde Gomes da Silva. Parece que a estou vendo agora, com o seu sorriso encantador e a sua alegria que fazia da classe uma festa só. Na mesinha de madeira colorida com quatro cadeiras de encosto, tia Renilde espalhava os lápis de cera e a massa de modelar, dando asas à nossa imaginação e estimulando a nossa criatividade. A ?Cartilha do ABC? chegou-nos por meio das suas mãos meigas, e dela recebemos as nossas primeiras lições de patriotismo, de boas maneiras e de higiene pessoal. Ensinou-nos a cantar os hinos de Alagoas e do Brasil, a mão posta no peito esquerdo em sinal de reverência, tal como o fazemos até hoje. Um anjo que passou pelo nosso caminho. Depois fui aluno de tia Salete, Maria Salete de Lima Santos. Na Escola Integrada Municipal, aprendi com ela a ler bem e a escrever com clareza, um verdadeiro tesouro que me fez chegar até aqui, às páginas desta Gazeta de Alagoas. Tia Salete, com os seus belíssimos olhos azuis, era a personificação da disciplina. Embora meiga e educada, não permitia bagunça nem admitia dispersão entre os alunos; ou nos comportávamos, estudando adequadamente, ou iríamos para casa com um bilhete que seria a nossa sentença fatal. Lembro-me dos seus gestos serenos e da sua postura sóbria, equilibrada, digna. Um exemplo de mulher de bem. Nas pessoas de tia Renilde e de tia Salete ? graças a Deus ainda fortes e saudáveis, cuidando dos netos e curtindo a vida ? rendo as minhas homenagens a todas as professoras que me ensinaram tantas coisas boas, que descortinaram diante dos meus olhos infantis um mundo de novidades e de desafios que me fez seguir em frente. Devo a elas muito da minha capacidade de sonhar, muito desse meu desejo insistente de desbravar novos horizontes. Todas foram, cada uma ao seu modo, edificadoras do homem que hoje eu sou.