Opinião
Dois discursos duas p�rolas
No último dia 15 de outubro, no salão nobre do TRE, tomou posse no cargo de Desembargador Eleitoral, o Juiz Estadual Orlando Rocha, em solenidade bastante concorrida, com a presença de várias autoridades, inclusive do representante do Senhor Governador, médico Fábio Farias, desembargadores, magistrados, membros do Ministério Público, da Assembleia Legislativa, da Câmara, intelectuais, amigos e familiares do empossado. O momento sensível e mais importante do ato, ao meu sentir, esteve centrado em dois discursos: o proferido em forma de saudação pelo Desembargador Eleitoral, Dr. Adamastor Acioly e do novel integrante daquela corte. Duas vertentes que se encontraram ao final: ambas enaltecendo os pais, a família e a importância do Poder Judiciário em todos os sentidos e, particularmente, como deveria ser posto, da Justiça Eleitoral nesta fase crítica por que passa o nosso País. Serenamente, com elegância, os dois ilustres oradores souberam despertar a atenção do seleto público e, no fundo, expressaram mensagens de otimismo, de confiança no trabalho que serão desenvolvidos durante o período fixado. Dr. Adamastor, já cumprindo sua nobre e divina tarefa de julgar, fez um resumo da biografia do colega que chegava, inclusive por sua condição, também, de professor. Lembrou sua trajetória como magistrado, exercendo com equilíbrio, independência e correção de atitudes, nas diversas Comarcas e Varas deste Estado e, recentemente, convocado para auxiliar a presidência do Tribunal de Justiça, missão difícil e complexa. Como bem lhe disseram os desembargadores referidos acima, o juiz é um ser humano que não se restringe apenas à aplicação do Direito e, sim, inclusive, um seu criador, um guardião do interesse coletivo. Muitas coisas bonitas e interessantes foram ditas, com alguma dose de romantismo, de amor à família e de passagens que provocaram risos na plateia, tudo, porém, sem cansar e desprovido de autopromoção. Confesso que não me causou surpresa alguma os posicionamentos dos estimados colegas de turma do concurso que enfrentamos nos idos de 1986. Competentes, justos, fiéis ao juramento professado no ato de posse no Tribunal de Justiça, sempre desempenharam a importante tarefa de julgar com bom senso, honestidade de propósitos e sabedoria. Equívocos possivelmente ocorreram, porque o timbre do ser humano não se desvincula da pessoa do magistrado. Contudo, sem rancor, sem mágoa e com altivez, jamais negaram ao postulante o seu direito reclamado, reformando decisões em sede de embargos ou mesmo reconsiderando aquele despacho questionado, frente a uma provocação de advogados. Parabéns, meu caro Orlando. Não tenho dúvidas de que sua postura nessa nova caminhada será uma garantia da aplicação da boa Justiça.