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Floresta ferida

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A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou, na semana passada, um relatório no qual analisa o desempenho das políticas de proteção ambiental no Brasil. A conclusão é que, apesar de melhorias visíveis, o País ainda tem a maior perda de área florestal do mundo: 4.800 quilômetros quadrados, de acordo com dados de 2014. Nos últimos anos, o Brasil tem feito grandes progressos em matéria de meio ambiente. Reduziu a extração ilegal de madeira, tem uma política severa e um sistema de alto nível para controlar essa política. Alguns dados ilustram bem isso. Entre 1976 e 2010, cerca de 15% da Floresta Amazônica brasileira foi desmatada. Isso representa 750 mil km², o equivalente aos territórios de Portugal, Itália e Alemanha somados. Mas, entre 2001 e 2012, a taxa anual de desmatamento caiu 40% (de 37,8 mil km2 para 22,9 mil km2) no Brasil como um todo. A redução foi ainda maior, de 70%, na Amazônia brasileira. Usando dados de satélite e simulações feitas com computador, os cientistas conseguiram correlacionar essa queda do desmatamento brasileiro a uma melhora na qualidade do ar da América do Sul como um todo. Apesar desse avanço, o País ainda desmata uma área similar ao território de Israel a cada quatro anos. Para a OCDE, isso ocorre porque ainda há uma grande brecha entre a legislação adotada e sua implementação de fato. Em maio, a presidente Dilma Rousseff anunciou o fim do desmatamento ilegal nos próximos dez anos, mas há dúvidas sobre o cumprimento dessa meta. Apesar dessa dificuldade, o País que abriga a maior biodiversidade do planeta é também a nação dos BRICS com maior oferta de energia renovável e já reduziu suas emissões para níveis abaixo da meta estabelecida para 2020. Ainda assim, deve lutar para superar as barreiras estruturais, como a proliferação de organismos de controle do meio ambiente, a falta de capacitação profissional e a expansão urbana e agrícola. Com tecnologia e inclusão social no campo, o País tem condições de alavancar sua produção sem aumentar a área desmatada. As ferramentas estão à mão. Basta que o discurso seja transformado em ações concretas.

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