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A cor e o g�nero da viol�ncia

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De acordo com o Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais e lançado ontem, o número de mulheres negras mortas cresceu 54% em 10 anos (de 2003 a 2013), enquanto que o número de mulheres brancas assassinadas caiu 10% no mesmo período. Entre as capitais, Vitória, Maceió, João Pessoa e Fortaleza encabeçam as capitais com taxas mais elevadas no ano de 2013, acima de 10 homicídios por 100 mil mulheres. No outro extremo, São Paulo e Rio de Janeiro são as capitais com as menores taxas. O que mais chama a atenção nesse levantamento é o fato de que, no total, 55,3% dos crimes foram cometidos no ambiente doméstico e em 33,2% dos casos os homicidas eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas. Esse tipo de violência acontece em casa, é familiar e tem um componente enorme de gênero, já que costuma envolver uma mulher que não se subordina às vontades de seu companheiro ou ex-companheiro. O estudo inova ao revelar a combinação cruel e extremamente violenta entre racismo e sexismo no Brasil. Para especialistas, faltam políticas específicas para as mulheres negras. Ao tratar as mulheres de forma homogênea sem levar em conta os diferentes contextos enfrentados pelas negras e pelas brancas, o Estado tende a privilegiar grupos que já são privilegiados e prejudicar o que se encontram marginalizados. Historicamente, a mulher negra tem dificuldade de acessar não apenas a rede de proteção contra a violência, mas todas as outras. Muitas têm medo de recorrer ao poder público em casos de violência, pois receiam sofrer ainda mais discriminação. O maior número de homicídios envolvendo a população negra do País também tem relação direta com a ausência do Estado nos bairros mais pobres. Nos bairros habitados pela população branca mais abastada existe uma dupla segurança: a pública, oferecida pelo Estado, e a privada. Já nos bairros mais pobres, de maioria negra, é preciso se contentar com a segurança pública, que é deficiente e às vezes age de forma contrária. Os dados denunciam outro bárbaro traço do racismo e amplia a reflexão sobre os tipos de violência sofridas pelas mulheres. É urgente criar consciência pública de não tolerância ao racismo e acelerar respostas institucionais concretas em favor das mulheres negras.

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