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Jorge de Lima – o imortal

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Às 09:30 horas do dia 15 de novembro de 1953, aos sessenta anos de idade, com grande paz interior, falecia no Rio de Janeiro o imortal poeta alagoano Jorge de Lima. Suas obras já percorreram o mundo; seus poemas traduzidos em várias línguas, servem como tema para defesa de tese em inúmeras Universidades da Europa; dentre os quais destacamos ?Invenção de Orfeu?, ?O Acendedor de Lampiões e ?Essa Negra Fulô?. Nascido em União dos Palmares, jamais esqueceu sua querida terra natal onde as cenas de sua meninice ficaram gravadas em sua mente, servindo de inspiração para vários de seus poemas. A imagem do rio Mundaú sonolento no verão e bravio no inverno, quando cheio, carregava ?as baronesas? e transbordava, lambendo as ruas e invadindo as casas. Jorge de Lima fixou essas cenas em um de seus primeiros poemas, em sua fase nordestina. Jorge de Lima trouxe para sua vida a doçura de uma infância feliz em União, o toque do sino, as cantigas dos cegos nas feiras, a festa de Santa Madalena, as histórias de ?fogo fátuo? que aparecia de madrugada e contadas pelas mães pretas da época. Na fase da puberdade estudou no Colégio Diocesano, onde foi colega de Otávio Brandão, Estácio de Lima e Jackson de Figueiredo, três grandes intelectuais do passado. Estudou medicina na Bahia e em 1914 terminou seu curso médico, vindo fixar-se em Maceió, onde exerceu a medicina com entusiasmo e dedicação. Em 1931, por questões pessoais, resolveu transferir-se para o Rio de janeiro, onde continuou sua profissão e a criação de seus notáveis poemas. Naquela cidade ganhou prestígio e grandes amizades, sendo eleito vereador e até presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Em 1951, dois anos antes de sua morte, voltou para rever sua terra querida. Foi uma viagem sentimental. Arnon de Melo era o governador do Estado. Sendo seu afilhado e grande amigo, proporcionou-lhe, ao lado dos intelectuais da terra, todas as gentilezas possíveis. Ao regressar ao Rio, já demonstrava sinais da doença. Mesmo sentindo-se enfraquecido, não deixou de escrever nem de frequentar seu consultório diariamente, até que suas forças físicas não mais permitiram. Durante essa fase, escreveu um diário em que demonstrava seu profundo apego a Deus. E assim, naquela manhã de 15 de novembro, quando mal despontava o sol, banhando de dourado a natureza, outro sol esmaecia melancolicamente para se perder na noite dos séculos. Parabéns ao meu caro amigo Carlito Lima pelo grande sucesso da VI Flimar, em Marechal Deodoro, em que Jorge de Lima foi um dos homenageados.

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