loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sábado, 25/07/2026 | Ano | Nº 6274
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

D�nis relembrado

Ouvir
Compartilhar

Contrariando o chavão de que não temos memória, ou de que a temos demasiadamente curta, em boa hora foram publicados nesse 2015 que já se finda dois belos livros destacando a trajetória de vida do jornalista Dênis Jatobá Agra, precocemente falecido aos 42 anos, há mais de duas décadas. Livros escritos com a emoção de quem fala de um amigo desaparecido, mas sem comprometer a fidelidade histórica à luta empreendida pelo biografado, notadamente na imprensa e nos movimentos sociais das Alagoas. Obras que devem ser lidas pela nova geração dos nossos conterrâneos, para que não se perca na cinza das horas o exemplo de quem deu tanto de si em prol dos sonhos que acalentava. O primeiro deles, da lavra de Joaldo Cavalcante, intitulado ?Codinome Mota?, aborda a trajetória do menino nascido em Viçosa, em 1950, que estudou medicina mas encontrou-se de verdade no jornalismo, tendo sido, inclusive, o primeiro ?ombudsman? do nosso Estado, nesta Gazeta de Alagoas. Dênis fundou os jornais ?Opinião? e ?Última Palavra? ? onde dei a primeira entrevista da minha vida, à jornalista Rossana Gaia ?, e presidiu o Sindicato dos Jornalistas de Alagoas. Joaldo nos mostra um Dênis comprometido em buscar a verdade por trás de cada fato, cioso da sua responsabilidade profissional e do papel transformador do seu ofício. O segundo livro, de autoria de Geraldo de Majella, ?Um jornalista em defesa da liberdade?, enfoca a militância de Dênis no Partido Comunista Brasileiro, o ?Pecebão?, em virtude da qual ele foi preso e torturado nos porões da ditadura militar. Ênio Lins, no prefácio, diz que Dênis Agra foi ?um herói contemporâneo?, além de ter sido um ?formador de gerações na política sindical?. É a expressão da mais pura verdade: Dênis marcou época na política e no jornalismo. Faz-nos bem relembrar a figura íntegra e ética de Dênis Agra, reafirmarmos a nossa crença nos ideais que motivaram a sua batalha por um Brasil melhor, mais justo, mais democrático. Ainda adolescente, nos anos 80, eu o já o admirava, vendo-o entrevistar o meu pai por diversas vezes, quando do brutal assassinato do advogado e jornalista Tobias Granja. Seu texto enxuto e afirmativo fizeram-me gostar de ler os jornais da minha terra. Tributo a Joaldo e a Majella o meu agradecimento por terem trazido Dênis, novamente, para bem perto do nosso convívio, como se ele ainda permanecesse fisicamente entre nós, como se a tirana morte não o tivesse arrebatado tão cedo. Meritória essa ação de ambos, digna dos nossos mais efusivos aplausos.

Relacionadas