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Nossa jovem rep�blica

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O Brasil comemora hoje 126 anos da proclamação da República. Diferentemente do que sempre foi ensinado nos livros didáticos, não foi um movimento popular que derrubou o império. Tecnicamente, houve na verdade um golpe perpetrado por setores militares. Quando a República foi proclamada pelos militares, tendo à frente o alagoano Manoel Deodoro da Fonseca ? que era monarquista ?, os civis republicanos eram uma escassa minoria espalhada pelo País. Entretanto, os esforçados e coesos republicanos exploraram bem os constantes atritos que o Exército passou a ter com os governos imperiais. O movimento de 1889 foi um momento chave no surgimento dos militares como protagonistas no cenário político brasileiro. A República então ?proclamada? sempre esteve, em alguma medida, marcada por esse sinal de nascença O que chama a atenção na transição da Monarquia para a República é que a ?proclamação? foi feita sem a participação do povo, que permaneceu apático, enquanto militares a cavalo marchavam pelas principais ruas do Centro do Rio de Janeiro. Além disso, nossa República nasce com uma prática monárquica e autoritária. Depois dos dois presidentes militares ? o também alagoano marechal Floriano Peixoto sucedeu Deodoro e governou com mão de ferro ?, o poder vai para as mãos dos civis, mas as marcas do império permanecem. O presidente da República tinha um poder mais nominal que efetivo e delegava o comando, de fato, à aristocracia rural. O fato de a República nascer como uma aceitação das elites e ter sido realizada através da espada do Exército brasileiro configurou um caráter autoritário e excludente do Estado brasileiro, garantindo os privilégios das classes dominantes e a negação de direitos às classes exploradas durante muito tempo. Somente nas últimas décadas, a partir do movimento Diretas Já!, é que o povo começa, de fato, a participar mais da vida pública. E não é à toa que desde então nós temos, pela primeira vez na nossa história, mais de trinta anos de democracia sem ruptura. A alternância do poder garantiu a eleição de um sindicalista e de uma mulher para a presidência da República. Ainda somos uma república jovem, cheia de vícios e distorções, mas nada que não pode ser superado.

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