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Enquanto as nuvens passam...

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Este título existe desde os meus sete anos de idade, bem como os motivos mediante os quais foi originado. Quando descobri o firmamento, esta maravilha que recobre o mundo, teve início o meu hábito de contemplar nuvens e estrelas, fenômenos movediços como as águas que umedecem a terra. Apreciá-las, tornou-se uma missão cotidiana que provocava irritação nos meus pais, por ignorarem também o meu objetivo. Nas minhas ilusões infantis, criava figuras que se desmanchavam rapidamente, ao contato suave do vento que as tangia para muito distante e nunca mais retornavam. Mas as estrelas saltitavam mudando de lugar, imitando as nossas brincadeiras ingênuas de esconde - esconde. Exultava ao compará-las com pessoas, animais e coisas. Aplaudia cada descoberta, contudo me decepcionava ao me retirar dali, geralmente para atender ao chamado de meus pais ao ouvir mamãe dizer: ?meu Deus, esta menina vai ficar cega?! Novo cenário seria implantado, inexplicavelmente. Um dia, transmiti minha invenção à madrinha Eudóxia Nemézio - minha primeira mestra- que, ao invés de tratar---me com desdém, ofertou-me um mapa onde estavam impressas várias constelações, inclusive o Cruzeiro do Sul. Daí, meu trabalho se expandiu, utilizando nas minhas inocentes pesquisas, folhas extraídas dos cadernos. Fui acumulando aquelas grafias trôpegas, num determinado lugar, envergonhada por tantas tolices. As estórias inventadas pelas domésticas que nos serviam, nem se assemelhavam à doçura e encanto das nuvens e estrelas que iluminavam o meu olhar e a minha mente. Um dia, resolvi incinerar tudo, pois o caminho que desejaria seguir não permitia conduzir os meus rabiscos. Alguns foram salvos pela rápida interferência de papai que extinguiu o fogo, apressadamente. Mais uma vez o tempo evoluiu, como todas as coisas da vida. No meu jeito acanhado de ser, buscava uma oportunidade para tornar público tudo o que fui redigindo, ao longo da minha vida. Conheci a Bienal do livro e os seus dirigentes. Era isso que faltava para realizar meu sonho quase caduco. E o meu primeiro livro Enquanto as Nuvens Passam, finalmente será editado. Agradeço aos meus filhos, netos e netas, parentes e amigos que me incentivaram, aos meus pais, esposo e irmãos que deverão estar, com o Senhor, bem próximos das nuvens e estrelas!

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