Opinião
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No dia 8 de janeiro deste ano, este mesmo espaço fazia uma reflexão sobre o ataque ao jornal francês Charlie Hebdo, no qual 12 pessoas foram mortas, inclusive o diretor da publicação, Stéphane Charbonnier, e George Wolinski, de 70 anos, considerado um dos maiores cartunistas do mundo. Os caricaturistas mortos haviam ousado mexer com o fundamentalismo islâmico. Na última sexta-feira, a França e o mundo foram novamente abalados por atos terroristas numa escala bem maior: 129 mortos e mais de 350 feridos. Os ataques em Paris devem ser analisados dentro uma perspectiva que leve em conta múltiplos fatores. Dentre os variados aspectos, destacam-se a presença da França na coalizão internacional contra o Estado Islâmico, o fato de o país abrigar a maior população muçulmana da Europa, de ser o maior emissor europeu de combatentes que se juntam a grupos radicais no Oriente Médio. Nas últimas décadas, grupos religiosos e políticos de países periféricos, como os do Oriente Médio, vêm recorrendo ao terror como forma de enfrentar o que, em seu ponto de vista, representa uma ameaça aos valores culturais, éticos e religiosos dos povos a que pertencem. Não por acaso, alguns desses grupos têm como fonte de inspiração o fundamentalismo islâmico. Existe um grande número de grupos terroristas atuando em escala quase planetária, entre os quais a Al-Quaeda, Boko Haram, Estado Islâmico e a Frente al-Nusra. Esses grupos são bem treinados, tem muitas e diversificadas fontes de financiamentos e, ao longo dos últimos 30 anos, vem promovendo atentados em vários países. O terrorismo atual se beneficia grandemente da tecnologia e das redes sociais para propagar seu poder e seus ideais pelo mundo. Pode-se repetir o que foi dito em relação ao ataque ao Charlie Hebdo. O atentado do dia 13 foi ato monstruoso e covarde, que trucidou vidas, por isso o mundo espera uma resposta. O radicalismo, seja ele religioso quanto político, deve ser combatido. O desafio da França é melhorar a segurança interna por meio do aumento do controle das fronteiras sem ferir o Estado de direito e as liberdades fundamentais, além de evitar as infiltrações de terroristas no país sem endurecer a política imigratória, pois os que cometeram os atentados são exatamente aqueles de quem os refugiados fogem e não o contrário.