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Opinião

Sedu��o perigosa

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Na noite do dia 13, Paris sofreu uma série de ataques coordenados, com explosões e tiroteios em seis diferentes locais da cidade. Foram atingidos, restaurantes, bares e uma casa de shows. O resultado: 129 mortos e mais de 350 feridos. O Estado Islâmico assumiu a autoria dos atentados. Em nota, o grupo diz que a França é ?a capital da abominação e da perversão? e que ?o país e todos aqueles que seguem seu caminho devem saber que permanecem o principal alvo? dos terroristas. O Estado Islâmico é, atualmente, a maior preocupação dos governos ocidentais. O grupo terrorista configura, hoje, a principal ameaça à segurança nacional desde o surgimento da Al-Qaeda. Isto se deve ao fato de a organização pregar um novo tipo de terrorismo, sem fronteiras, que seduz e recruta jovens ocidentais, principalmente de religião muçulmana, mas que nem sempre são religiosos ou devotos. A maioria desses jovens ocidentais que viajam para a Síria e Iraque para lutar são filhos ou netos de muçulmanos. Para analistas, o racismo, o desemprego e a crise de identidade fazem com que muitos jovens muçulmanos sejam presos fáceis para o jihadismo, corrente do islamismo que acredita que a sociedade muçulmana foi corrompida pela modernidade e pelos valores morais do Ocidente e por isso é necessário um retorno ao Islã original da época de Maomé. Atraídos pela propaganda do EI e por um novo caminho de vida, os jovens são recrutados pela internet e estão dispostos a ingressar em uma nova jihad (?guerra santa?) em qualquer lugar do mundo. Para isso, o Estado Islâmico conta com a ajuda poderosa da internet. É, de longe, muito mais conectado que outras organizações terroristas. Possui um grupo de comunicação on-line, um site na web, uma revista em inglês, e vários de seus membros possuem perfis em redes sociais. O aspecto jovial e moderno dos integrantes do EI contribui para criar a imagem de que participar do grupo é algo jovem e moderno. Destruir instalações e armamentos dos grupos extremistas é relativamente fácil para as potências ocidentais. Combater as ideias e neutralizar a influência dessas organizações sobre os jovens é um desafio colossal, que não pode ser atacado com mísseis. Dissuadir pessoas dispostas a morrer é difícil. Extinguir ideias é igualmente difícil. Matar ideias religiosas é quase impossível.

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