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Liberdade, liberdade, abra as asas sobre n�s

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Desde 2003 o dia 20 de novembro é dedicado a Consciência Negra, dia que dialoga com valores, cultura, conquista, reivindicações para diminuir a desigualdade e a resistência à escravidão e às injustiças, simbolizadas no Quilombo dos Palmares, hoje União dos Palmares. A historiadora Lilia Schwarcz, no livro ?Brasil ? uma Biografia? aborda a escravidão afirmando que ?...Sempre e em qualquer lugar ela gera o sadismo, a rotinização da violência e perversão social... ...E se a ideia é não esquecer, não há como deixar de mencionar a enraizada e longa experiência social da escravidão, a qual acabou por dar forma à sociedade brasileira. Essa marca continua presente ainda nos dias de hoje... ... no nosso vocabulário, nas práticas cotidianas de discriminação social e racial ou de culpabilização dos mais pobres, com frequência negros.? Quando se discute política de inclusão é comum entre os conservadores dizer que tratar desigual os desiguais é criar cizânia, divisão. Discurso similar ao usado pelos que eram contra o fim do flagelo da escravidão, que alegavam que o país quebraria caso houvesse a Abolição. Mais de cem depois da Abolição a desigualdade continua. Ela não está só nas Comunidades (favelas) das grandes cidades com mais de 13 milhões de pessoas, as quais que têm origem no fim da Guerra do Paraguai em 1870, quando a muitos soldados negros alforriados sem indenização, restou construir barracos no Morro da Providência, tido como a primeira favela do Rio de Janeiro, mas em todos os lugares, não importando o tamanho ou nível econômico. Nas Comunidades facilmente se percebe o grosso de seus habitantes: a população negra. Áreas que são verdadeiros guetos, sem urbanização, saneamento ou segurança, além da carga de preconceito contra todos eles. Para estes, os salários comprovadamente são menores, já os desempregados e subempregados são maiores. A presença nas universidades ainda é exceção. Noutra lupa, que tal visualizar nosso Congresso Nacional, onde temos 513 deputados e 81 senadores. Quantos deles são negros e ou se reconhecem? Também é fácil verificar em ministérios de seguidos governos a presença de negros restrita a uma secretaria de igualdade racial ou similar, como se a capacidade intelectual deles se limitasse a esse tema. Poderíamos ficar na esfera do Estado, mas o problema vai muito mais além. Pensemos se temos um presidente de uma grande empresa privada nacional negro. Nesse quesito deveremos ter um conjunto vazio. E nas grandes empresas estatais? Novamente um conjunto vazio. Num olhar mais próximo, onde moramos, avaliemos a participação dos negros em posição de destaque em empresas ou órgãos tidos como importantes como Poder Legislativo, Judiciário, Chefias ou Secretarias. É fácil perceber que eles não estão presentes ou são exceções. Um passo fundamental é a conscientização de que a desigualdade existe e que é necessário atuar para mudá-la. O título do texto emprestado de um samba enredo, ainda é realidade, falta muito para que a população negra seja efetivamente incluída e deixe de sofrer preconceito. Como diz a poesia, ?a gente não quer só comida, a gente quer comida diversão e arte?, diversão e arte que pode simbolizar cidadania e inclusão que insistimos desconhecer faltar para muitos.

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