Opinião
O Isl� e a viol�ncia: predestina��o ou interpreta��o?
Quinze minutos após o início da carnificina na Bataclan em Paris a polícia chegou, e já encontrou um cenário devastador:corpos e feridos se amontoavam pelo chão e o sangue escorria pelas paredes. No clima de horror instalado pelos terroristas que ainda fizeram reféns e resistiram muito, cenas de heroísmo também se repetiram. Os gritos de uma mulher pendurada pelas mãos em uma das janelas emocionaram a França e o mundo. Em fuga desesperada do atentado, ela gritava: ?Eu estou grávida!?. Para salvá-la, Sébastien deixou o esconderijo em que se protegia dos jihadistas armados e a socorreu, expondo-se aos algozes. Acabou sendo feito refém e ameaçado de morte até o desfecho do ataque. Milagrosamente, ambos conseguiram salvar-se. Outro homem,Philiphe, salvou a vida de uma mulher ao escondê-la sob poltronas que protegeram seu corpo. Já Ludovic Loumbas, de 40 anos, morreu ao ser atingido por tiros no restaurante La Belle Équipe quando jogou-se sobre a jovem Chloé Clement, já ferida, protegendo-a. Atingido, o jovem de origem congolesa não resistiu aos ferimentos. O historiador de religiões, Philip Jenkis, após estudar comparativamente a violência presente no Alcorão e na Bíblia, chegou a surpreendente conclusão,emitida na National Public Radio, que a Bíblia é mais agressiva que o livro sagrado dos muçulmanos. Segundo Jenkis, a violência do Alcorão, pelos padrões do 7º século era ?defensiva?, razoavelmente humana,já a Bíblia traria um tipo específico de violência e cita o primeiro livro de Samuel (15;3),quando o profeta diz a Saul ,que a mando de Deus destrua todos os antagonistas, suas famílias e animais de criação.A leitura literal ou radical dos textos levaria às Cruzadas e a Inquisição. Outros historiadores, como como Bernard Lewins e seu The Crisis of Islam:Holy War and Unholy Terror, também afirmam: o Islã é uma religião tolerante. Também Karen Armstrong autora de Em Nome de Deus, diz ser um equívoco considerar o Islã ?intrinsecamente violento?.Mas autores islamitas vivendo no Ocidente, como a síria Wafa Suitan, e Ayaan Hirsi,nascida na Somália, afirmam que ? O Islã não é só uma religião, é também uma ideologia política que prega violência e aplica sua agenda pela força aos infiéis?. Seria essa violência uma questão de interpretação literal ou radical dos textos religiosos? Mas a prática religiosa não deveria estar associada à tolerância, amor e perdão? Contudo a barbárie volta a aterrorizar o mundo, e o extremismo, seja religioso, ou bolivariano, sempre será contrário ao progresso da cidadania e da civilização.E precisa ser contido com empenho total e todas as forças disponíveis.