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Opinião

Muito al�m da falta de chuvas

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O semiárido nordestino enfrenta atualmente uma das piores estiagens de sua história e, segundo a previsão dos especialistas, o panorama não deve se modificar no curto prazo. Tudo consequência do El Niño, nome dado ao fenômeno do aquecimento das águas do oceano Pacífico. Por causa das travessuras do ?menino?, na última segunda-feira, o nível da barragem de Sobradinho, o maior reservatório do Nordeste, atingiu 2,5% do volume útil, o mais baixo da história. E esse número vem caindo dia a dia. Se é verdade que seca é um fenômeno natural e, portanto, inevitável, também é verdade que a atualmente os avanços tecnológicos permitem uma convivência mais pacífica com a estiagem. No mundo todo há exemplos de países cuja precipitação pluviométrica é bem inferior à do Brasil, mas encontraram soluções para minimizar seus efeitos e garantir a sobrevivência das populações atingidas e a manutenção das atividades econômicas. Historicamente, o Nordeste tem sido vítima de políticas improvisadas do governo. A precariedade econômica, a falta de preparo técnico e a ausência de infraestrutura sempre causaram grande sofrimento à população do semiárido. A região sempre sofreu com a falta de planejamento governamental a longo prazo. A situação começou a mudar nos últimos anos, quando o Nordeste começou a atrair grandes investimentos em setores como fábricas de carros e motos, refinarias, estaleiros e siderúrgicas. Na questão dos recursos hídricos, o governo começou a desenvolver projetos grandiosos, como a polêmica transposição das águas do rio São Francisco. Em Alagoas, também com recursos federais, começou a ser construído o Canal do Sertão. Os programas sociais têm evitado os saques a feiras e supermercados tão comuns em outras épocas durante os períodos de longa estiagem. As obras são importantes, mas ainda insuficientes para transformar definitivamente o panorama do semiárido. A seca no Nordeste não é tanto um problema climático, mas sim sociopolítico, pois há meios capazes de garantir o sucesso da atividade agropecuária em regiões semiáridas. É preciso continuar investindo maciçamente em obras estruturantes para enterrar definitivamente a indústria da seca, que historicamente garantiu lucros vultosos a um pequeno grupo, em detrimento da grande massa da população nordestina.

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