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Opinião

Conversa de botequim

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Em mesa de bar, cada cadeira é uma tribuna. E uma tribuna democrática. Ali, discute-se de tudo. Do futebol à política. Não deixando de lado, evidentemente, a Economia. Antigamente se dizia que todo brasileiro era um técnico de futebol e hoje vai mais além entendendo até Economês. E mais ainda: de crise. Ouvi amigo dizer: ?como pode falar-se em crise quando se sente dificuldade em reservar hotéis e comprar passagens de avião?? Antes de mais nada, lembrei que a crise vai atuando como uma enchente. Pode chegar ao topo da pirâmide social, mas, até lá, vai atingindo e debilitando, principalmente, a sua base numerosa. Nosso país conheceu e conviveu, aqueles com mais um pouco de estrada, muito mais, com crises quase constantes. E, sempre o mais atingido, era o assalariado. A classe alta e a média-alta sempre tiveram gordura para queimar e jogo de cintura para driblar a crise. O que não acontece com as classes menos favorecidas. Junto com a crise vem o maior dos males da economia: A INFLAÇÃO. Quando foi debelada em 1994 pelo Plano Real, deixou para trás índices astronômicos que, hoje, poriam em polvorosa quem não os conheceu. Chegava a índices inimagináveis. Era a Hiperinflação. Agora, já estamos sentindo o cheirinho de outrora. Inflação chegando aos dois dígitos e as maquininhas de remarcação dos supermercados voltando a passear pelos corredores e atacando as gôndolas. Nada pior que esse panorama para um povo que já se acostumara com uma normalidade econômica. Fazer uma previsão de gastos para que seus ganhos chegassem ao fim do mês, tornou-se um hábito. Com o desemprego entrando sem bater pelas portas das famílias, a coisa fica muito mais grave. Além de perder capacidade de compra, perde o que mais lhe dá dignidade: seu emprego. E o que observamos em nossos políticos neste momento tão crucial? Governo e sua base de sustentação sem acenarem para uma solução que não seja o aumento de impostos. Chantageiam os governos estaduais e municipais com cortes de verbas, forçando-os a darem apoio para a aprovação da CPMF. Sem esquecer o percentual desta contribuição que lhes estão acenando. O mais importante, no entanto, o corte nos gastos públicos com a diminuição dos ministérios e cargos espalhados por esse Brasil afora, camuflou-se com pequenas ações. Com licença de Noel pelo título, torço para que em nossos barzinhos voltemos ao papo descontraído das amenidades da vida e as discussões do rumo político e social sejam tomadas na tribuna competente. Mas com seriedade.

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