Opinião
A explos�o da intoler�ncia
Há muito pouco tempo o mundo inteiro se comoveu com um naufrágio de um barco de refugiados sírios e a cena chocante de uma criança morta debruçada na areia da praia. Algumas fronteiras foram abertas e parte deste contingente foi recebida em alguns países europeus. O gesto de solidariedade logo começou a motivar algumas manifestações terroristas na Alemanha contra os abrigos. Quando refutamos a tese de que o homem é um ser inteiramente cultural, parece que estamos litigando com a fé. Mas acrescentamos ainda: não importa quanto tempo seja necessário, um dia, um século ou um milênio, a memória cultural não se apaga. É bom que se esclareça que a primeira investida do cristianismo foi contra os judeus. Povo ancestral de quem a Igreja herdou metade de sua cultura religiosa. Mesmo assim esse povo foi perseguido e massacrado. O Islamismo surgiu no século VIII e logo se tornou a religião e povo mais poderoso do mundo. Foi por conta de seu poderio bélico que o Papa Nicolau V assinou a Bula ?Romanus Pontifex?. Esta bula que deu direitos a Portugal para conquistar e escravizar todos aqueles que não fossem cristãos. Foi assim que a escravidão foi institucionalizada no Brasil, com a bênção do Papa. É importante esclarecer que a tolerância tanto a judeus quanto a muçulmanos foi sempre uma relação de interesses no mundo ocidental. Os Estados Unidos patrocinou a independência de Israel, não por questões humanitárias, mas pelo dinheiro e a força do voto desse contingente na América. Isto não é diferente com a França em relação a presença islâmica naquele país. Não faz muito tempo que a França, precisamente, Hollande começou a interferir nos costumes seculares daquele povo. Menos ainda, se importou com as publicações desrespeitosas da revista satírica Charlie Hebdo ao profeta Maomé. Absolutamente nada, justifica um ato de terrorismo, nem o terrorismo pode ser justificado pelos fundamentos Islâmicos. Esta guerra não iniciou agora, ela vem acontecendo há muito tempo, silenciosa, indiferente e embalada pelo sabor da política e da economia europeia. No momento atual é mais conveniente descartar, perseguir e motivar o sectarismo contra o Islamismo. Tenho medo do que pode advir desse radicalismo exacerbado que constrói dos dois lados, oriente e ocidente, o caminho para outra guerra mundial.