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Opinião

A moral da hist�ria

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?Enquanto em Paris os taxistas desligaram os taxímetros no dia dos atentados, no Brasil os comerciantes triplicaram o preço do galão de água após a tragédia de Mariana?, dizia a frase que circulou na internet. Brasileiros salafrários e franceses altruístas? Não é bem assim. Os comerciantes de Mariana, a princípio, não violaram nenhuma lei, apenas seguiram a mais básica regra do mercado, a lei da oferta e da procura. Mas tudo tem um limite, não é? Durante uma tragédia não é hora para pensar em lucro e sim em ajudar o próximo. Será? Vamos inverter o jogo e ver como fica. Os lucros dos vendedores, nesse caso, vieram do fato de eles terem em estoque um produto que, de repente, por um motivo imprevisível, se tornou extremamente procurado. Mas se acontecesse o contrário? Se o mesmo produto tivesse sua procura subitamente diminuída? O que aconteceria? Se ao invés de água contaminada, um estudo comprovasse que a água da torneira é mais saudável que a engarrafada, o que aconteceria com os comerciantes que investiram toda sua economia em estoques dessas garrafas? Será que os moradores de Mariana comprariam alguns vasilhames de água, sem precisar, só para ajudar os comerciantes que estavam à beira da falência? Deveria o médico de uma cidadezinha baixar ou aumentar o preço de suas consultas se os outros únicos médicos morressem em um acidente? Conforme explica Michael Sandel em seu livro ?Justiça, o que é fazer a coisa certa?, tudo depende do senso de comunidade. Pesquisas em diversos países apontam que nossa ética é fortemente influenciada pela sensação de pertencer a um grupo. Perguntados se todos os seres humanos deveriam ser tratados igualmente, quase todo mundo respondeu que sim, mas perguntados se, em um terremoto, era errado um país mandar ajuda apenas para seus cidadão que lá estivessem, a maioria disse que não. Perguntados se achavam que não entregar um criminoso era errado, 90% disseram que sim; mudado o cenário para o criminoso ser seu irmão, 90% disseram que não. No Brasil não temos nenhum senso de comunidade, sujamos a rua e estacionamos na porta da garagem dos outros como se aqui não vivêssemos. Os comerciantes de Mariana não titubearam em aumentar os preços porque sentiam que, se um dia eles precisassem, ninguém iria ajudar também. Os taxistas parisienses ajudaram os passageiros porque o terrorismo uniu o país em um grande sentimento de comunidade.

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