Opinião
Longa batalha
Nos últimos dez anos, a Central de Atendimento à Mulher realizou 4,7 milhões de atendimentos, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério das Mulheres, de Igualdade Racial e Direitos Humanos. O serviço (Ligue 180), cuja ligação é gratuita e está disponível 24 horas por dia, dá orientações, esclarece dúvidas e pode registrar denúncias de agressões contra mulheres. Do volume de ligações recebidas, 552.748 foram relatos de violência. Os principais tipos foram de violência física (56,72%) e psicológica (27,74%). No total, segundo o ministério, foram feitos 1.661.696 pedidos de informação e 824.498 encaminhamentos a serviços da Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. Chama a atenção o aumento de 300,39% nos casos de cárcere privado, com média de dez registros por dia. Os registros de estupros também aumentaram em 165,27%. De acordo com o Ligue 180, a média foi de um estupro a cada 3 horas. Tema da redação do Enem deste ano, a violência contra a mulher é um processo que demanda tempo para ser enfrentado. No caso do Brasil, o problema está mais concentrado nas classes mais pobres, nas quais a maioria é negra e marginalizada. No entanto, a violência acontece em todos os lugares. A violência atinge mulheres e homens de formas distintas. Grande parte das violências cometidas contra as mulheres é praticada no âmbito privado, enquanto que as que atingem homens ocorrem, em sua maioria, nas ruas. É preciso destacar, porém, alguns avanços nessa luta. Em oito anos, a Lei Maria da Penha diminuiu em 10% os homicídios de mulheres. Isso demonstra que leis efetivamente aplicadas podem reduzir crimes e mandar uma mensagem à sociedade: a de que esses crimes não são tolerados. Entretanto, as leis, por si sós, não respondem a todo o problema. O combate à violência contra a mulher deve começar na escola, na família, na comunidade, no ambiente de trabalho, nas ruas, com uma mudança de consciência. É dever do Estado e uma demanda da sociedade enfrentar todas as formas de violência contra as mulheres. Coibir, punir e erradicar todas as formas de violência devem ser preceitos fundamentais de um País que preze por uma sociedade justa e igualitária entre mulheres e homens.