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Opinião

O grito da floresta

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Dados do Ministério do Meio Ambiente divulgados ontem mostram que houve aumento de 16% no desmatamento da Amazônia em comparação com o ano anterior. Os estados de Amazonas (54%), Rondônia (41%) e Mato Grosso (40% de aumento) foram os que mais puxaram para cima esse aumento. Segundo o ministério, há ilegalidades acontecendo em determinadas regiões do Amazonas e a pasta estuda a criação de novas unidades de conservação para conter as derrubadas. O anúncio do aumento do desmatamento acontece às vésperas da Conferência do Clima da ONU, a COP 21, em Paris, onde o Brasil participará das negociações por um acordo global de redução das emissões dos gases de efeito estufa. O desmatamento, historicamente, é o maior fator causador de emissões no Brasil. Somente este ano, anunciou-se que a geração de energia pode ter chegado ao mesmo patamar da devastação. Uma das últimas grandes reservas de madeira tropical do planeta, a Amazônia enfrenta um acelerado processo de degradação para a extração do produto. A agropecuária ocupa enormes extensões de terra, mas o modelo de produção, em geral, é antigo, avança sobre as matas e deixa enormes áreas abandonadas. Apesar de, nos últimos anos, a taxa de desmatamento ter registrado queda ? este ano, o Brasil comemorou a redução de 82% da taxa anual de desmatamento da Amazônia Legal em uma década ?, ainda hoje a floresta perde cerca de 5.000 km² por ano, uma área equivalente a quatro vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro. Além da imensa perda de biodiversidade e da ameaça a povos e culturas tradicionais, o desmatamento afeta o ciclo das águas e adiciona 200 milhões de toneladas de carbono à atmosfera anualmente. Por isso, é preciso que haja políticas públicas efetivas para conter o desmatamento indiscriminado e ilegal. As ações devem se dar em três frentes: ordenamento fundiário e territorial, monitoramento e controle ambiental e fomento às atividades produtivas sustentáveis. Permitir a continuidade do desmatamento significa condenar a Amazônia ao atraso econômico, à crise social e ao desastre ambiental. Até hoje, aproximadamente dois terços da Amazônia permanecem como floresta virgem e ainda podem e devem ser preservados.

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