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Muito al�m do ajuste fiscal

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O fim do ano vai se aproximando com o Brasil mergulhado em duas crises que se complementam e se alimentam uma da outra: a desaceleração brutal da economia, que vem ceifando postos de trabalho impiedosamente, e a relação conturbada entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional. Por causa desse cenário sombrio, o País perdeu o ano de 2015 e, a continuar assim, sem respostas do governo federal e do Parlamento, corre o risco de perder também 2016. A prisão do senador Delcídio do Amaral, líder do governo, pode devolver novamente à estaca zero os esforços empreendidos para a aprovação das medidas de ajuste fiscal com o qual o governo espera retomar o crescimento. Entretanto, as medidas propostas pela equipe econômica têm um efeito colateral nefasto: inviabiliza a atividade produtiva, por causa do aumento dos impostos, e tira recursos até mesmo de áreas emergenciais, como a saúde, num momento em que o País vê aumentar o número de casos de dengue, zika vírus e febre chikungunya. Enquanto isso, municípios e estados enfrentam dificuldade para pagar salários e manter os serviços básicos à população. Outra crítica que se pode fazer ao ajuste fiscal é o fato de que o governo tirou todas as maldades do saco de uma só vez, quando deveria ter feito isso de forma gradual. A equipe econômica do segundo mandado da presidente Dilma adotou uma terapia de choque ? fiscal, monetário, cambial e de preços ?, que prometia efeitos negativos de curto prazo. Isso alterou dramaticamente as expectativas da população e jogou a economia numa recessão da qual parece se difícil de sair. O choque desorganizou a capacidade do governo de liderar os investimentos. De qualquer modo, é fundamental superar as dificuldades do campo político o quanto antes para que o País possa respirar. Apesar do atual cenário de incertezas, os brasileiros esperam que os congressistas deem uma resposta eficiente à sociedade, votando medidas que possam recolocar o País novamente no eixo do desenvolvimento, e não colocando os interesses político-partidários acima dos interesses da nação. Também é necessária a adoção de uma agenda positiva para que os setores público e empresarial encontrem os caminhos para superar a crise, com a atuação conjunta do governo federal e Congresso Nacional.

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