Opinião
O trote e o trato
Uma nação só consegue qualidade no seu desenvolvimento socioeconômico, com educação valorizada e respeito do Estado para com os professores. No Brasil, lastimavelmente, os mestres são uma categoria pouco reconhecida, mal remunerada e desestimulada. Haja vocação e amor à causa para suportar os fortes exercícios de sofrimento diante das humilhações, incluindo-se as manifestações grosseiras, quando não violentas de pais e alunos. Se os países se reunissem numa sala de aula, facilmente se identificaria o Brasil. Seria um retrato daquele estudante esforçado, cheio de sonhos, mas completamente ineficiente, fraco, improdutivo. Chamou-me a atenção em leitura recente os países que obtêm liderança na relação entre gastos públicos e bons resultados nos rankings de educação. E, claro, estão no universo asiático do mapa. A Coréia do Sul é um modelo invejável. Na sala de aula citada, seria o primeiro da fila, o nerd, o campeão de notas invejáveis. Ministros que passaram pelo MEC admitem que a valorização do professor no Brasil não é uma tarefa fácil, porque a carreira docente foi muito desprestigiada nas últimas décadas. Os governos são os responsáveis pelo sucateamento da escola. A Coréia do Sul ostenta a segunda colocação no ranking sobre capacidade de alunos de 15 anos resolverem problemas de matemática. Pesquisas apontam que mais de 40% dos coreanos afirmaram que encorajariam seus filhos a seguirem a carreira de professor. Ao contrário do nosso país, o índice de violência contra professores, é zero e 80% dos estudantes sul-coreanos fazem curso superior. Enquanto isso nas universidades brasileiras os novos aprovados são recebidos com os chamados trotes que não passam de uma degradação moral, absurdamente nojenta. Na Coréia do Sul, o ?Enem? se transforma num dia de festa e solidariedade em todos os níveis. É um trato todo especial com os candidatos às universidades. Bombeiros e policiais ficam de plantão para dar carona aos alunos atrasados; o comércio e as empresas abrem mais tarde para evitar congestionamento no caminho dos estudantes; o governo proíbe voos no teste oral de inglês para não desconcentrar ninguém. Durante dez horas enquanto os candidatos faziam as provas, as famílias lotavam igrejas e templos orando para o sucesso de filhos e parentes. Com educação exigente, um país cresce com dignidade e reduz os seus índices de pobreza e corrupção.