Opinião
Porque a escola p�blica n�o presta
É coro entre o povo brasileiro, em particular o alagoano, falar mal das escolas públicas, criticar o ensino, os professores, diretores, disciplina e tudo o que se refere ao tema. Pela gestão do Ponto de Cultura: Pequenos Músicos de Jaraguá tenho observado de perto o problema e hoje tenho outra opinião a respeito do assunto. Primeiro, Até pouco tempo, a cada ano letivo, víamos filas enormes de pais que passavam a noite para conseguir uma vaga para matricular o filho. Isto a imprensa mostrava, a sociedade se comovia e criticava o governo. Mas a realidade, sem generalizar, é que por trás dessa preocupação das famílias em matricular os filhos está uma obrigação imposta pelo Programa Bolsa Família. Duas vezes ao ano milhares de pais, em todo Brasil, comparecem a escola: quando matricula o filho e quando precisam do comprovante de matrícula e do registro de comparecimento anual do filho para apresentar ao Bolsa Família. O restante do tempo, não há a menor preocupação com esse filho. Ele falta aula, esquece o material escolar, perde, rasga, estraga, porque não tem cuidado nem compromisso. Mais ainda, não estuda, nem se interessa pelo que é ensinado, não respeita professores e no final do ano ainda consegue aprovação. Até porque se o índice de reprovação for muito alto a escola, além de ser acusada de não ensinar, perde o incentivo do governo, fica numa espécie de lista negra. O certo é que o aluno chega ao terceiro ano se sentindo todo importante, mas que não sabe nada. Por isso não consegue boas notas no ENEM. E novamente a escola fica queimada. Esse aluno não consegue entrar para uma universidade, não pode pagar uma faculdade particular e nem consegue, com as notas obtidas gozar dos benefícios de bolsas ou do FIES. A realidade é que desde cedo falta compromisso de muitos pais com os filhos. Não é falta de compromisso da escola nem dos professores com os alunos, como é cantado aos quatro ventos. Com raríssimas exceções, os pais entregam o filho na escola e se sentem livres porque acham que transferiram sua responsabilidade aos professores. Os problemas de comportamento e da relação com professores ou colegas não deveria ser assunto para ser resolvido pelos pais e sim pela escola. Por isso quando são convocados, comparecem, muitas vezes, aborrecidos, agressivos e assumem a defesa do filho sem sequer ouvir a escola. Esta é uma realidade que a sociedade teima ignorar. Pais precisam assumir suas responsabilidades. E não é a condição social que impede esse compromisso. Conhecer a escola, o professor e atender suas convocações para reuniões é um dever. Pais precisam ser pais.