Opinião
Em busca da luz no fim do t�nel
O resultado do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado na terça-feira foi mais uma ducha fria nas expectativas do governo em relação à volta do crescimento do País. O PIB fechou o terceiro trimestre do ano com queda de 1,7% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Os dados das Contas Nacionais foram divulgados hoje pelo IBGE e indicam a maior retração do PIB em terceiros trimestres, desde o início da série histórica em 1996. O mais grave é que, de acordo com as previsões do Banco Central, a recessão deve durar pelo menos mais três trimestres. Vários fatores podem ser citados para explicar a recessão em que o Brasil está mergulhado. O primeiro deles é o impacto da operação Lava Jato, que provocou paralisações nas atividades da Petrobras e de algumas das maiores construtoras do País. Pelos cálculos de analistas, a Lava Jato deve ter um impacto negativo de 2,5 pontos percentuais no PIB deste ano, porque paralisou setores que têm um peso grande nos investimentos totais da economia. Outro fator que teria prejudicado bastante o desempenho da economia na avaliação dos economistas foi a crise política. Surgiram problemas como as pautas bomba, o que atropelou o processo de ajuste. No início do ano, a agenda do ajuste fiscal acabou capturada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. A relação conflituosa entre o Planalto e o Congresso também contribuiu para agravar o clima de incertezas, que inibe investimentos. Também se pode colocar a recessão na conta do aperto perto monetário e o ajuste fiscal mais duro. Além disso, a recessão brusca ocorreu em parte em função do estouro da ?bolha do consumo? que vinha alimentando a economia nos últimos anos. Por último, há um cenário externo desfavorável. É urgente que o governo acerte suas contas, cortando gastos supérfluos e melhorando a gestão. Ou seja, seja capaz de fazer mais com muito menos. Não é o que vem acontecendo. Por outro lado, a gravidade da recessão não permite que a crise política se prolongue indefinidamente. Executivo e Legislativo precisam dar um encaminhamento para o reequilíbrio futuro das contas públicas, que possibilite a diminuição das incertezas e a retomada dos investimentos. Se isso, não se pode ver nenhuma luz no fim do túnel.