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Risco e oportunidade

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Após meses de expectativas e ameaças, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB) anunciou na quarta-feira ter acolhido um dos vários pedidos de impeachment apresentados contra a presidenta Dilma Rousseff. Isso ocorreu horas depois de o PT retirar o apoio a Cunha no Conselho de Ética, onde está para ser aberto um processo por quebra de decoro parlamentar contra o peemedebista, o que sugere que a decisão de Cunha, ao contrário do que ele próprio afirmou, não se baseou em critérios técnicos, mas sim numa forma de vingança. Agora, o País se prepara para assistir a um processo que pode ser longo e doloroso. Governo e oposição discutem a possibilidade de suspender o recesso parlamentar para agilizar a tramitação da ação contra Dilma. Se for suspenso e mantido apenas uma pausa no período de festas de fim de ano, a previsão é que o plenário da Câmara vote o início do processo de destituição presidencial no dia 26 de janeiro. Caso contrário, a votação só deve acontecer em 2 de março. O fato é que o impeachment se converteu na palavra de ordem da oposição desde o primeiro dia da reeleição da presidente Dilma, em 2014, por uma margem apertada de votos contra o candidato tucano. Erros na condução da política econômica ? que motivaram um duro ajuste fiscal ? e a falta de habilidade no trato com o Parlamento fizeram o governo ficar isolado e ter dificuldade de garantir sua base de sustentação no Congresso, mesmo com ampla distribuição de cargos e ministérios. O Planalto defende que o processo de impeachment seja definido rapidamente, pois acredita que terá votos suficientes para barrá-lo. É uma jogada arriscada, mas que, se bem-sucedida, pode dar à presidente Dilma a oportunidade de pelo menos eliminar as ameaças ao seu mandado provenientes do Congresso. Seria, assim, uma saída para recuperar o espaço perdido. Talvez a última chance para o governo e para a própria Dilma. Não há dúvidas de que é preciso superar, de uma vez por todas, essa crise política que tem contaminado a economia. O clima político no nível atual desencoraja investidores e impede a retomada do crescimento. No meio desse imbróglio está a classe trabalhadora, às voltas com o aumento do custo de vida e do desemprego, depois de alguns anos de bonança. O País tem pressa.

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