Opinião
�s 5, Macei� t� acordadinha de sol
Assim, Mário de Andrade, registra no seu ?Turista Aprendiz?, ao adentrar a enseada de Jaraguá em 09 de dezembro de 28, século passado, e ser recebido pelo poeta de Nega Fulô ? Jorge de Lima ?, e o Menino de Engenho, seu amigo Zé Lins. Continua, ?no longe estão os trapiches compridos chamando; são apenas 5 horas e Maceió já está inteirinha acordada de Sol?. E se derrama: - o mar tem uma riqueza de verde, maior que Copacabana. E quando vistos de terra, os verdes seccionam-se retos com essa liberdade plástica da natureza que os pintores dela têm vergonha de imitar por que não é natural. Um nadador aproveita o domingo, vem lá da praia longe bordejar o navio. O corpo dele é um jacarandá claro movendo por debaixo d?água com a volúpia cinemática dum rallenti! Depois do ajuntamento dos trapiches impertinentes, chamando mais que chamando, Maceió se estende prá esquerda duma fila de casas praieiras. Uma procissão de casas que a velhice já tornou boas. No meio delas o mal chama a atenção, como sempre...É um creio que Associação Comercial em grego, absolutamente intraduzível. Mais pra diante surge outra boniteza uma espécie de casa enfeitada, com ar de rica, onde mora naturalmente algum senhor, a família dele e um zimbório. Maceió é terra de moça bonita!?. E de homens valentes, como Floriano, que desses arredores consolidou a República Brasileira. E também de Rebelo, que amainou um general excitado!. Ponche de maracujá e sururu são tesouros de Maceió, disse Mário. E a beleza esfuziante nunca desfeita das pupilas de Cacá Diégues, que deu arrancada em sua autobiografia, na primeira frase, no primeiro parágrafo, na primeira página de seu livro: - nasci em Maceió, onde também primeiro se deslumbrou extasiado com a visão do cinema e atônito recobrou o real com o grito da tia: ? tira a mão da tela, senão fica agarrada para sempre! Maceió, é assim, nossa vista se perde no azul turquesa ou verde esmeralda,? que depende do sol e das algas ? dos nossos desvãos mergulhados no mar da ladeira do Farol, que subo com Graciliano ou Edécio, e chego à capela de Santa Rita com Djavan. Seus bairros, todos têm nomes de água ou a ela ligados: Vergel, Pajuçara, Jatiúca, Ponta da Terra, Ponta Grossa, Poço, Trapiche...Por fim, o sarcasmo do poeta Lêdo, andarilho do mundo, que Maceió, nunca dele saiu: ?aqui, duas coisas não se acabam nunca ? brisa e miséria!? Vamos viver em Maceió, ?lá tem brisa?! Também as alegrias derramadas pela Senhora Rainha dos Prazeres. Maceió, 200 anos!