Opinião
Parab�ns, Macei�!
Lá pelo fim do século 18, o pequenino lugarejo, que se constituiria em Maceió, não significava mais do que uma discreta povoação a abrigar pescadores e mercadores que conduziam madeiras, cortadas da Mata Atlântica, para transporte em embarcações fundeadas na região do Jaraguá. Tais curiosidades constam no relato do presbítero pernambucano Cipriano Lopes, que por aqui se arranchou em 1794. Os escritos do sacerdote apenas corroboram outros importantes testemunhos históricos. A localização daquele diminuto povoado foi determinante para impulsionar a formação da cidade, levando-se também em conta sua interligação com duas principais vilas, a de Porto Calvo e a de Alagoas, hoje Marechal Deodoro. Do depoimento do padre até 5 de dezembro de 1815, quando o Alvará Régio converteu a povoação à categoria de vila, passaram-se apenas 21 anos. Desde então Maceió vem num contínuo processo de crescimento, com áreas registrando significativo adensamento urbano. No curso desses dois séculos de história, a nossa capital passou pelas mãos de quase trinta intendentes ? que assim eram denominados os gestores municipais no Brasil até o final da década de 1920 ?, e mais de trinta prefeitos. Cada um se caracterizou por estilos administrativos distintos, imprimiu seu ritmo gerencial e enfrentou suas circunstâncias. Recordo-me com muito orgulho de 1979, quando assumi, em plena juventude, a prefeitura de Maceió. À época, o governador era Guilherme Palmeira, pai do também jovem prefeito Rui Palmeira. Poderia fazer menção às conquistas sociais e aos programas educacionais que foram executados com sucesso, mas pretendo focar nos avanços que obtive na infraestrutura da cidade, que hoje acolhe mais de um milhão de habitantes. Cito algumas ações estruturantes que se revelaram estratégicas para Maceió: elaboração do Plano Diretor, expansão urbana no norte da cidade, saneamento da Pajuçara e urbanização das praias da Avenida e da Jatiúca, além da duplicação da avenida Assis Chateaubriand e da construção do Dique-Estrada. Mais à frente, como governador de Alagoas, materializei dois outros equipamentos urbanos indispensáveis à organização da vida das pessoas em nossa capital: a construção do conjunto Virgem dos Pobres e a implantação do emissário submarino. Também providenciei a dragagem do canal da Mundaú, para revitalizar a lagoa e estimular a produção do sururu. Todos sabem da minha convicção municipalista, do compromisso com o fortalecimento das cidades. Assim me posiciono desde aquele tempo em que tomei a iniciativa de fundar a Associação dos Municípios Alagoanos, a AMA. Nos duzentos anos de Maceió, reafirmo minha crença no seu desenvolvimento e renovo todos os compromissos firmados com a população. Parabenizo, por fim, a direção do Instituto Arnon de Mello pelo lançamento comemorativo da obra que relata a história, a cultura, a geografia e a economia da capital alagoana.