Opinião
Uma cidade privilegiada
Completam-se hoje exatamente 200 anos da assinatura, por D. João VI, do Alvará Régio que desmembrou Maceió da Vila das Alagoas, atual Marechal Deodoro. A futura capital conquistava, assim, autonomia administrativa, sendo alçada à condição de vila. Não há dúvida, pois, de que essa é a data de sua criação. Entretanto, no dia 9 de dezembro de 1839, foi reconhecida como cidade e ao mesmo tempo elevada à condição de capital da província de Alagoas. Por isso, os maceioenses podem se dar o luxo de festejar o aniversário de sua cidade em duas datas diferentes. Localizada entre a Lagoa Mundaú e o Oceano Atlântico, a capital alagoana ocupa o terraço, feito pelo mar, na extremidade do tabuleiro que limita, ao Norte, a calha do antigo estuário do Rio Mundaú, e continua sobre uma língua de terra, que se junta a esse terraço e se afina para o Sudoeste, terminando no Pontal da Barra. O povoado que deu origem à capital de Alagoas se formou a partir de um engenho de açúcar. A agricultura de cana-de-açúcar continua a ser uma das forças econômicas do Estado, mas é o turismo o que move a economia em Maceió, com um crescimento exponencial nas últimas décadas. E não é difícil compreender por quê. A capital de Alagoas tem localização privilegiada. Banhada por 15 praias, Maceió destaca-se no cenário nacional e internacional principalmente pela beleza exuberante de suas praias, de águas sempre mornas e cristalinas, ora verdes, ora azuis. Toda a orla marítima é enfeitada por coqueiros. As areias, brancas e finas e os arrecifes que formam as piscinas naturais completam o cenário paradisíaco. Com mais de um milhão de habitantes, a cidade também sofre com problemas que acometem outras cidades do mesmo porte e também são consequência de seu crescimento acelerado: ocupação desordenada do espaço urbano, deficit habitacional, grande número de famílias morando em áreas de risco, transporte público deficientes, serviços públicos precários, sistema viário em colapso, violência e exclusão social. Neste bicentenário de existência, a capital de todos os alagoanos precisa, mais do que nunca, da união de todos ? poder público, setor privado, sociedade civil ? para superar o desafio de ser uma cidade ainda mais acolhedora para todos que nela habitam, indistintamente, e também para aqueles que a visitam.