Opinião
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Após enfrentar por cerca de dois meses a revolta dos estudantes secundaristas do estado de São Paulo, que não aceitam o fechamento de escolas nem a criação de ciclos únicos em escolas, o governador Geraldo Alckmin foi obrigado a capitular e, na sexta-feira, anunciou a suspensão de seu projeto de reestruturação da rede pública estadual de ensino. Mesmo que não se discuta o mérito da proposta do governo tucano, que pode até ser algo positivo, o fato é que aparentemente ela foi sepultada pela falta de traquejo do governador e de sua equipe. Falhou a Comunicação do governo em explicar a ação. Errou Alckmin em querer mudar sem prévio de aviso os alunos das escolas ?reorganizadas? para outras, simplesmente logo no ano seguinte. Tudo deveria ser feito de maneira esclarecida e paulatina. O pior de tudo foram os confrontos entre alunos e policiais, com exageros principalmente do lado mais forte, que reprimiu, com truculência, os protestos dos estudantes. O movimento dos secundaristas paulistas mobilizou a sociedade. Pais de alunos, professores e artistas se engajaram no movimento. A proposta de Alckmin ganhou repercussão internacional. O espanhol El Diário publicou extensa reportagem mostrando a surpreendente ocupação das escolas, o protagonismo e autonomia dos estudantes em relação a partidos políticos e as semelhanças entre manifestos de estudantes chilenos e espanhóis. A trapalhada do governo paulista é mais um imbróglio que está minando o capital político do grupo que governa o estado de São Paulo há duas décadas. Além do problema da educação, há a gestão dos recursos hídricos e da Segurança Pública. É consenso entre especialistas que a crise no abastecimento de água na Grande São Paulo, a pior da história, é uma tragédia anunciada há mais de uma década. Apesar dos alertas, faltou planejamento do governo paulista. Na área da Segurança Pública, o aumento dos indicadores de violência tem desafiado a capacidade do governo de Geraldo Alckmin de lidar com a situação. A trapalhada da reorganização escolar em São Paulo mostra que, no Brasil atual, já não há espaço para medidas tomadas de cima para baixo, sem ampla discussão com todos os envolvidos no processo. Pior ainda quando o governo usa sua força repressiva de forma desmedida. Basta ver as mais recentes pesquisas de opinião.