Opinião
Novo rumo
A oposição na Venezuela conquistou, domingo, a maioria das cadeiras na Assembleia Nacional, revertendo quase duas décadas de domínio dos socialistas, representados pelo presidente Nicolás Maduro, herdeiro de Hugo Chávez. O resultado é visto por muitos analistas como indicativo do esgotamento do modelo neopopulista não somente na Venezuela, mas em toda a América do Sul. Na Argentina, o oposicionista Mauricio Macri derrotou o candidato apoiado por Cristina Kirchner. Os resultados eleitorais traduzem uma virada histórica depois da chegada ao poder do ?chavismo? em 1999. A oposição se beneficiou do forte descontentamento popular na Venezuela com uma crise econômica provocada pela queda do preço do barril petróleo. Embora o País detenha uma das maiores reservas do produto do mundo, está atualmente imerso em uma situação de escassez de alimentos e bens de primeira necessidade. Para alguns analistas, entretanto, há uma manifestação clara de insatisfação do eleitorado em relação a algumas políticas e também em relação a alguns políticos que estavam no Congresso venezuelano, mas isso não significa, necessariamente, o fim do chavismo. Como em outros países latino-americanos, há uma marca generalizada de personalismo na política. Além disso, Maduro não tem o mesmo carisma de seu padrinho político. Há que destacar o fato de que, apesar das bravatas durante a campanha eleitoral, o presidente reconheceu a derrota de seu grupo político logo depois da definição dos resultados. Mesmo assim, afirmou que a situação era resultado da ?guerra econômica? travada contra seu governo pela oposição. Opositores também acusam o governo de práticas autoritárias. De fato, a Venezuela enfrenta graves problemas econômicos, principalmente por causa de sua extrema dependência do petróleo. Com o barril pouco acima de US$ 40, nada permite ver otimismo seja com Maduro seja com qualquer governo. A estabilidade institucional também é fundamental neste momento. Há múltiplas demandas que exigem solução urgente. Uma disputa política, por mais legítima que seja, entre Executivo e Legislativo, pode afundar definitivamente o País. Pelo bem da Venezuela, só resta o diálogo. É algo complicado, mas o resultado das eleições de domingo pode ser a oportunidade para a construção de pontes.