Opinião
Tabu da idade
Já estamos em meados de dezembro. O tempo vai correndo e ficamos mais velhos. Mais um ano que passa em nossas vidas. Quantos anos você tem? Essa pergunta enerva, agride, irrita muita gente, principalmente as mulheres depois dos 50 anos. ?Trata-se de uma pergunta indiscreta, mal educada, mesmo em tom de brincadeira? ? relata aquela senhora ao primo irreverente. Myra e Lopez, psiquiatra e escritor famoso, em seu livro ?A Arte de Envelhecer?, fala sobre o impacto ou trauma psíquico que a chegada do envelhecimento causa em muita gente. É realmente muito interessante a curiosidade que as pessoas têm em saber a idade dos outros e fazer uma avaliação pessoal se aquela pessoa está velha ou moça para aquela idade. Pequenas histórias engraçadas ouvimos todos os dias de cenas relacionadas com esse tema. Como essa: dois amigos de infância que há muito tempo não se viam, encontraram-se numa festa. A senhora aparentando seus 70 anos, virou-se para o ex-colega de curso primário e foi dizendo: ?Pedro, como você está velho. Meu Deus do céu! Lembra-se da nossa convivência na escola??. O Pedro chateado com a insistência da ex-colega em acha-lo tão acabado assim, retrucou calmamente: ?É, eu me lembro de você. Só estou vendo qual foi a matéria que você me ensinou? Ela trancou a cara e saiu como uma bala. Na verdade ninguém quer ficar velho. Infelizmente isso tem que acontecer porque a marcha do tempo não para. Perder a mocidade, a idade da fortaleza, do vigor, não significa nada, porque estamos cumprindo um programa de vida. Em todas as fases dessa caminhada perdemos e ganhamos sempre alguma coisa. Temos alegrias e tristezas, vantagens e desvantagens, vitórias e derrotas. Juventude por si só não significa ventura, como a velhice por si só não resulta em desventura. Os jovens também choram, têm medo, sentem angustia às vezes. Viver, portanto, é uma meta. Ninguém pode parar o tempo, repito. Lembrem-se os cinquentões e a turma daí para frente, que não há motivo para ter medo do tempo. Se na juventude desabrochamos para a vida, agora aos 50, 60 ou 70, a vida desabrocha para nós. Agripino Grieco dizia: ?Não tenho 80 anos, mas quatro vezes vinte?, baseado em seu entusiasmo por viver. Assim, amigo, viva a sua vida com alegria, com satisfação, não deixando ninguém roubar esse tempo precioso que é seu. E diga como na famosa oração: ?Senhor, dai-me serenidade para suportar as coisas que não posso mudar; força para mudar as que posso e inteligência para distinguir uma da outra?.