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Opinião

Perdas & Perdas

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Entre tantas situações indesejáveis que a vida nos proporciona, nada machuca mais quanto a perda de um ente querido. Quando essa pessoa é muito próxima, é natural que a dor seja mais aguda, enquanto a ferida não sara no seu tempo natural de cura. E quando a perda vem uma após outra, em tempo recorde, numa sequência inimaginável de apenas poucos dias, parece insuportável. A sensação é que o mundo desabou sobre a cabeça! Mãe e tios resolveram fazer um pacote de viagem para o além quase ao mesmo tempo. Sentimos junto à família uma sensação de orfandade múltipla, mesmo entendendo que o fim é imprevisível e a única certeza nesta vida. Mal recuperando a ressaca do doloroso sétimo dia do último passageiro para o céu, neste sábado, acordo com a surpreendente notícia da morte de Waldemir Rodrigues, companheiro de tantas missões no rádio esportivo e outras muitas tarefas nas redações de jornais, nos gabinetes de secretarias de comunicação, nos espetaculares shows das grandes decisões do futebol no Estádio Rei Pelé. Lembro-me de uma passagem formidável no ano de 1974, quando CSA X CRB decidiam o primeiro turno do campeonato alagoano. Um espetáculo inesquecível com o Trapichão recebendo 35 mil torcedores. Não é demais dizer também que esse público jamais se repetiu. Minutos antes de começar a partida, eis que surge no céu um helicóptero ziguezagueando, fazendo um barulho ensurdecedor, assustando as pessoas que estavam embaixo das marquises. Com maestria o piloto pousa no círculo central do gramado e, ao abrir a porta, eis que surge o eclético repórter Waldemir Rodrigues trazendo a bola do jogo numa ação inédita que a todos encantou. Sensacional! O CSA ganhou o clássico por um a zero, gol de Ênio com arbitragem de Arnaldo César Coelho. No rádio, juntos começamos, juntos aprendemos e aperfeiçoamos para, tempos depois, cada um definir o seu destino. Nascemos no mesmo ano, sendo ele vinte dias mais novo. No rádio e no jornal, nas assessorias públicas que exerceu, o engenheiro Waldemir foi sempre um nobre jornalista, um talento indiscutível, um profissional irrepreensível. Foi um pai de família presente e amado pelas suas quatro filhas. Não teve um filho homem como sonhava, mas Deus lhe presenteou com cinco netos para a sua plena felicidade. Descanse em paz, companheiro de tantas viagens, de tantas jornadas esportivas, tantas brincadeiras e sonoras gargalhadas.

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