Opinião
Ponto de partida
Após duas semanas de intensas negociações, a COP-21 (conferência do clima da ONU) terminou sábado em Paris com um acordo considerado histórico, pois, pela primeira vez, envolveu quase todos os países num esforço para reduzir as emissões de carbono e conter os efeitos do aquecimento global. O ponto central do chamado Acordo de Paris, que valerá a partir de 2020, é a obrigação de participação de todas as nações ? e não apenas países ricos ? no combate às mudanças climáticas. O objetivo de longo prazo do acordo é manter o aquecimento global ?muito abaixo de 2ºC?. Esse é o ponto a partir do qual cientistas afirmam que o planeta estaria condenado a um futuro sem volta de efeitos devastadores, como elevação do nível do mar, eventos climáticos extremos (como secas, tempestades e enchentes) e falta de água e alimentos. De acordo com o texto, a cada cinco anos, as nações deverão prestar contas a respeito das iniciativas levadas adiante para impedir que a temperatura global não aumente mais de 2° C. A contenção do aquecimento visa evitar fenômenos extremos, como ondas de calor, seca, cheias, ou subida do nível do mar. Se as promessas forem cumpridas, na segunda metade deste século o mundo terá praticamente abandonado os combustíveis fósseis e as emissões que restarem de gases com efeito de estufa serão anuladas pela sua absorção por florestas ou pela sua captura e armazenamento. Apesar das reações otimistas em relação ao acordo, entretanto, é preciso entender que se trata de um ponto de partida, não de chegada. Não há ainda, no texto, a clareza do caminho que o mundo precisa seguir, mas há os elementos que são pilares importantes. É uma abordagem duplamente diferente da que havia até agora na diplomacia climática. Não há metas impostas aos países, são eles que decidem o que fazer. E todos têm de participar, e não apenas os países desenvolvidos, embora estes tenham de liderar os esforços na redução de emissões de gases com efeito estufa. Portanto, ainda há muito trabalho pela frente, pois o planeta se encontra numa situação de alto risco. O sinal continua amarelo, a um passo de se tornar vermelho. É necessário aproveitar esse impulso dado agora com a assinatura do acordo para que as ações ocorram de fato. E rapidamente.