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Bispos de d. Bosco III

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DOM EDVALDO G. AMARAL * Mons. Lourenço Gastaldi foi o 3º arcebispo de Turim na vida de dom Bosco. Em seu primeiro pronunciamento, na cerimônia de posse, fez questão de insistir demoradamente que a sua eleição para arcebispo de Turim ? ele fora transferido de Saluzzo ? era obra exclusiva do Espírito Santo e que para ela não havia contribuído nenhum favor humano. Acontece que era do conhecimento de todos que seu nome fora proposto ao papa Pio IX por dom Bosco, e encontrara bastante resistência por parte de muitos da Cúria romana. O papa havia assim determinado a d. Bosco: ?Deixo-lhe o encargo de comunicar a mons. Gastaldi que agora o faço arcebispo de Turim e, daqui a alguns anos, farei algo mais?. Pio IX o queria em Roma, ao seu lado, talvez como cardeal. Dom Bosco lhe telegrafou: ?Excelência, tenho a honra de comunicar-lhe em primeira mão que será nomeado arcebispo de Turim?. Esse telegrama causou imensa alegria a Gastaldi, que participou a todos os amigos o telegrama de dom Bosco, vindo de Roma. A personalidade de Gastaldi é assim descrita no volume X das Memórias de d. Bosco: ?Os que conheciam a fundo mons. Gastaldi viam nele duas pessoas: a pessoa pública, autoritária, inflexível e a pessoa privada, um coração de ouro, generoso, amável. Amava tanto seu clero e tinha tanto zelo pela salvação das almas, que certa vez se prostrou diante de um infeliz, que deixara o sacerdócio para viver amasiado, implorando-lhe voltar ao bom caminho e garantindo-lhe toda a ajuda financeira de que necessitasse?. Naquela época, a fama de santo e taumaturgo de que d. Bosco gozava, o espantoso crescimento de sua congregação, a confiança que o papa depositava nele ? consultando-o até na escolha de bispos ?, como lhe confiara o difícil encargo de resolver com o governo italiano a provisão das dioceses vacantes, tudo isso parecia ao arcebispo, extremamente zeloso de sua missão, diminuição de sua autoridade episcopal. Firme na intenção de tutelar seus direitos, exagerava continuamente nas determinações contra a nascente Congregação de d. Bosco. Foram 10 anos difíceis para dom Bosco, anos em que a humildade, a obediência aos seus superiores e seu espírito de fé foram duramente provados. Foram forjadas calúnias, até que na tipografia do Oratório se imprimiam cartas do arcebispo, cartas essas que nunca foram encontradas. Ainda assim, dom Bosco teve de responder várias vezes a acusações gratuitas e forjadas por pessoas interessadas em criar um clima de mal-estar. O papa, convidado a intervir nesse desentendimento entre as duas figuras mais importantes da Igreja em Turim, respondeu: ?Dom Bosco é um santo e saberá sofrer pela Igreja.? Na Páscoa de 1883, mons. Gastaldi deixava este mundo sem receber aquele ?algo mais? de que falava o telegrama do papa. D. Bosco, de Paris, ordenava soleníssimas exéquias na Basílica de Maria Auxiliadora. A congregação só teve para com ele atitudes respeitosas de afeto filial e obediência hierárquica. Jamais se fez em público qualquer comentário, que diminuísse a estima e o apreço que lhe eram devidos como arcebispo da cidade-berço da atividade do fundador. O cardeal Gaetano Alimonda veio para Turim como uma grande honra para a capital do Piemonte que, há mais de um século, não tinha um cardeal como seu arcebispo e, para dom Bosco, foi a grande consolação tão merecida em seus últimos anos de vida. No dia seguinte à posse do cardeal, dom Bosco enviou um secretário para perguntar a Sua Eminência quando poderia conceder-lhe audiência. Alimonda respondeu ao enviado que logo daria a resposta. E mal o secretário chegou em casa, atrás dele chegava a carruagem do arcebispo. Recebido em festa no Oratório e com grande admiração de dom Bosco, os dois se entretiveram em longa conversação. Foram inúmeras as visitas do cardeal Alimonda ao Santo e a participação em todas as festas da Basílica de Maria Auxiliadora e na festa onomástica de d. Bosco, aos 24 de junho. Foi numa delas que dom Bosco, muito doente, lhe disse confidencialmente: ?Tempos difíceis, Eminência, eu vivi, tempos difíceis... Mas quando V. Eminência estiver com o Santo Padre (era Leão XIII) diga-lhe que onde quer que os salesianos estejam, serão sempre os baluartes da autoridade do Sumo Pontífice e os sustentáculos de seu ensinamento?. Em seu leito de morte, d. Bosco recebeu uma visita especial do cardeal Alimonda, que o abraçou ternamente, beijou-o duas vezes e lhe deu sua última bênção. Quando dom Rua comunicou-lhe a morte do Santo, em 31 de janeiro de 1888, o cardeal, que estava em Gênova, respondeu ao sucessor de d. Bosco: ?Não preciso dizer-lhe como recebi a notícia de seu telegrama. O meu querido e venerado dom João não quis que ainda uma vez eu lhe beijasse a sagrada mão e me recomendasse à sua intercessão junto de Deus.? Eugênio Céria, um dos biógrafos de d. Bosco, conclui que o card. Alimonda foi o anjo consolador dos últimos anos da vida de nosso Santo. (*) É O ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ

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