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Opinião

Em nome de Deus

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EDUARDO BOMFIM * Em nome da civilização ocidental cristã, os Estados Unidos e a velha e servil Inglaterra preparam-se para uma nova guerra. Ela afetará todo o planeta, não apenas do ponto de vista militar mas econômico, social, ambiental, etc. Em todos os países haverá a derrocada das bolsas de valores, incidindo diretamente sobre as economias das nações do terceiro mundo. Mas o chamado complexo industrial militar norte-americano sairá imensamente fortalecido, como uma poderosa hidra. Ao final do conflito, os mais ricos serão mais ricos e os mais pobres descerão, sabe-se lá quantos degraus, na escala da miséria e degradação humanas. O presidente Bush invoca, sempre, em seus discursos, a proteção de Deus. E será em seu nome que 500 mil pessoas morrerão em conseqüência direta dos bombardeios aéreos e terrestres, segundo estimativas de especialistas militares, entrevistados pela mídia. Não importam as manifestações populares gigantescas a favor da paz que se espalham por todo o mundo, inclusive nos EUA. Ninguém duvida: esta carnificina anunciada possui como objetivo primordial o controle da rota do petróleo no Oriente. De tal forma é difundida pela mídia, a inevitabilidade do estupro armado contra o Iraque, que as pessoas bocejam diante da televisão, como se estivessem esperando em uma sala de cinema o início de um filme de horror já atrasado. O historiador português Miguel Urbano Rodrigues declarou em palestra no recente Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre, que não há precedentes, nem em Roma, nem na Inglaterra vitoriana, nem no Reich hitleriano, de um imperialismo comparável ao atual. E conclui que os seus objetivos de domínio encontram-se mascarados pelo controle dos meios de comunicação. Os tais objetivos poderiam ser encontrados em um documento elaborado logo após a Segunda Guerra Mundial, posteriormente arquivado e retomado no atual governo Bush. O seu título, ?Plano para a grande área?, prevê como essencial o controle inquestionável de todo o Hemisfério Ocidental, o antigo império britânico desmantelado e o Extremo Oriente. É exatamente este ?projeto? expansionista que está em curso. Os seus efeitos já se fazem sentir no Brasil, na alta do dólar, no aumento da inflação e em relação ao comércio internacional. Quer dizer, a guerra produz resultantes nefastas mesmo antes do primeiro tiro. Aqueles que torcem o nariz em relação à tentativa de enxergar a nossa província alagoana sob a ótica dos fenômenos maiores, não terão como ignorar que estes tempos incidirão dramaticamente sobre as vidas das pessoas que habitam em Minador do Negrão, Batalha,Major Isidoro e Maceió. Podem, é verdade, continuar em seus mundos encantados, nos devaneios e azedos conflitos da vila. E bradar que nada do que acontece e seus dramáticos desdobramentos nos interessa. Isto é coisa de quem se abstrai das delícias ou desencantos da terrinha. Os acontecimentos, porém, determinarão as suas vidas. E se os protestos de massas e de personalidades em todo o mundo não impedirem a eclosão desta loucura imperialista, esta postura pseudo-anarquista, minimalista, de vida aldeã, perceberá que em nome de Deus e a complacência do escapismo ilustrado, é que sempre são cometidas as atrocidades mais cruentas contra a humanidade. (*) É ADVOGADO

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