Opinião
Tirando a maquiagem
Na capital de São Paulo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) relativo ao mês de janeiro alcançou 2,19%, o mais alto em todos os janeiros desde 1994. A pesquisa foi realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e superou as expectativas de aumento do custo de vida, pois a própria instituição estimava encontrar um índice abaixo de 1,9%. O resultado pode surpreender pelo índice em si, considerado mais elevado que o esperado, mas não pode causar surpresa pelo fato do custo de vida seguir aumentando. Todos os consumidores sabem, através do próprio bolso, que o custo de vida continua crescendo sem parar. A questão central nesse caso é a continuidade do cenário construído por FHC em seus oito anos de mandato, a saber: aumentos aparentemente pequenos na inflação oficial e saltos expressivos nos preços dos produtos e insumos básicos (como os combustíveis). Segundo a Fipe, o esperado era um número abaixo do 1,83% de aumento dos preços ao consumidor para janeiro de 2003, isso levando em consideração o registro de 0,57% em dezembro de 2002. É de se perguntar que critérios de cálculo foram usados para auferir um aumento tão pequeno. Mas o fato é que não deu para esconder, ou maquiar, o resultado de janeiro de 2003. Segundo o coordenador do índice, Heron do Carmo, ?o ritmo atual de inflação é um absurdo? e aponta como causa da alta do índice os aumentos da gasolina e álcool, a antecipação do reajuste da tarifa de ônibus e o reajuste no setor da educação. Justificativas à parte, esses números indicam que ? para o consumidor, o cidadão comum ? o Brasil continua afundando no mesmo buraco onde foi enfiado por FHC. O pulo dos preços em janeiro deve servir como alerta ao novo governo e à cidadania brasileira sobre a necessidade de se rever os rumos da economia com rapidez. Como a conjuntura internacional deve ficar mais nebulosa, um novo rumo para o Brasil é cada vez mais necessário de ser adotado. A não ser se o novo governo quiser revitalizar o estojo de maquiagem usado durante os últimos oito anos.