Opinião
O mercado verde
Na COP21 (Conferência do Clima da ONU), o Acordo de Paris assinado por 195 países representa uma boa e uma má notícia. A boa é que governos e sociedade civil estão no mesmo barco, mobilizados como nunca antes. A má é que se todos os países cumprirem suas metas, chamadas de INDCs, o planeta não conseguirá chegar no final do século com um aumento de temperatura bem abaixo dos 2°C. Até 2025, os países ricos construirão um fundo de US$ 100bi/ano para auxiliar os pobres na mitigação e adaptação às mudanças climáticas e será feito um balanço das metas nacionais a cada cinco anos. Nessas negociações há um pouco de teatro porque os países já haviam apresentado suas metas desde o ano passado. Na realidade, foi o primeiro acordo climático desde 1997, pois o Protocolo de Kyoto não saiu do papel e buscou-se o consenso para evitar o fracasso de Copenhague em 2009. Em Paris, só foi possível com a concordância dos EUA e da China, os maiores poluidores, pela não obrigatoriedade do cumprimento das metas. É claro que esse tipo de documento não é perfeito, não será suficiente, mas o que fica marcado é que a mobilização contra a indústria dos combustíveis fósseis está aumentando, agora nela incorporada o setor financeiro. O modelo europeu de colonização, a forma de produção/consumo das sociedades e os hábitos perpetuados em cada um de nós são os grandes dilemas da humanidade e estão diretamente relacionados com a Revolução Industrial. Nos tempos da Guerra Fria, a corrida armamentista e a conquista do espaço desenvolviam o mercado mundial com a tecnologia militar resultante dos investimentos das potências hegemônicas (EUA e URSS) em pesquisa & desenvolvimento. Com a derrubada do Muro de Berlin e a involução dos arsenais nucleares, o combate à poluição do ar passou a ser a forma de alavancar o desenvolvimento do mercado. Em 1992, no Rio, a ONU colocou as mudanças climáticas no centro dos debates, com o objetivo de estabilizar/reduzir as emissões dos gases de efeito estufa (GEE) e que os vilões do clima são o CO2 (dióxido de carbono) e o CH4 (metano). Em 1998 foi criado o IPCC (Intergovernamental Panel on Climate Change) com o objetivo de fornecer informações científicas, técnicas e socioeconômicas para que se possa entender o que significa mudança climática. O cenário do aquecimento global seria catastrófico: degelo das calotas polares, elevação do nível dos mares, inundações, tempestades, maior intensidade e frequência de furacões, com reflexos na segurança alimentar. No centro da polêmica está o homem como protagonista e causador de toda essa aceleração de mudanças no clima. Um outro grupo de cientistas contesta que a mudança climática seja decorrente das atividades humanas pois não levaram em consideração as emissões de CO2 dos oceanos, a inclinação do eixo da Terra, as manchas solares e a erupção de vulcões. Nosso planeta tem ciclos, já foi mais frio, já foi mais quente e que entre 2020 e 2030 teremos um resfriamento. O movimento ambientalista tem três fontes de informações: as organizações verdes, os técnicos do governo e os cientistas ligados à indústria dos combustíveis fósseis. Certamente que por trás da polêmica do aquecimento global está uma agenda oculta porque todos eles são grupos de lobby e divulgam os dados que lhes interessam para que mais dinheiro seja gasto com o mercado verde.