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Opinião

P�tria desfocada

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2015 foi um ano de grandes polêmicas na área da educação. O ano começou com a súbita demissão do ministro Cid Gomes, que não ficou nem 3 meses no cargo. O perfil de bom gestor não resistiu a sua língua sem freios. Seu substituto, Renato Janine Ribeiro, chegou como consenso intelectual e festejos de um tão aguardado ?não político?. Não durou 6 meses. Até ai, nada de muito diferente do costume. Três grandes controversas, porém, ainda estavam por vir. Primeiro, uma onda de boatos e mentiras conservadoras transformou uma necessária discussão sobre o combate a discriminação nas escolas numa cruzada quixotesca contra a ideologia de gênero. Só após muito pânico, descobriu-se que os planos estaduais e municipais não eram cartilhas gays gigantes e sim moinhos de recomendações equilibradas. No final, louvores celebraram o fim do pesadelo de meninos e meninas jogando futebol, o que aparentemente desencadearia o apocalipse. Pouco depois, uma reportagem mostrando o sucesso na militarização de 2 escolas públicas assumidas pela PM causou um tsunami inverso. Agora eram os liberais a deflagrar uma guerra contra a suposta lavagem cerebral dos alunos, que seria a gestação de uma nova ditadura. Ver uma ilha de crianças comportadas em meio a um sistema onde a indisciplina é a regra, aparentemente, não comoveu os corações mais progressistas. E por fim veio a ocupação das escolas paulistas. Uma remodelação que trocaria os alunos entre os colégios (com fechamento de alguns) e alegadamente traria maior eficiência do gasto público, fez com que os estudantes adotassem táticas de guerrilha e demonstrassem um amor pelas escolas jamais vistos. Contudo, o ano em que a sociedade civil finalmente saiu do sofá e foi a rua, ou ao menos ao Whatsapp, para discutir a educação nacional, infelizmente, marca não o início da vitória, mas a continuidade da derrota. Para quem ainda não percebeu, o detalhe é que em nenhum desses momentos houve qualquer menção a uma coisa chamada aprendizado. Num país que está sempre nos últimos lugares do PISA, mas em que a maioria dos pais classifica a escola de seus filhos como ótima ou boa, não é surpresa que as mesmas hordas que se mobilizaram por questões colaterais tenham ignorado solenemente a discussão sobre a nova grade curricular nacional. Ensinar português e matemática, no Brasil, é um supérfluo.

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